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“Caetano e Bethânia” encerrada com maestria

Último show da turnê levou mais de 38 mil pessoas à Arena para contemplar o talento de Caetano Veloso e Maria Bethânia

Desde agosto do ano passado Caetano e Bethânia atraíram multidões às capitais do país
Desde agosto do ano passado Caetano e Bethânia atraíram multidões às capitais do país Foto : Camila Cunha

Por Ana Luiza Barbosa e Larissa Har*

Na noite deste sábado, dia 22, na Arena do Grêmio, os irmãos mais aclamados da Música Popular Brasileira puseram fim à turnê “Caetano & Bethânia”. O show em Porto Alegre, que ganhou nova data após as enchentes de maio, reuniu cerca de 38 mil pessoas na capital gaúcha para ouvir a voz e os sucessos dessas figuras que marcaram – e seguem marcando – gerações.

Na plateia, famílias, casais e grupos de amigos de todas as idades foram embalados pelas canções da dupla. Com repertório diverso, clássicos, tal qual “A Tua Presença” e “Cajuína”, contagiaram o público a dançar e cantar, mesmo onde o espaço era reduzido. Outros, como “Oração ao Tempo”, emocionaram e despertaram lágrimas, enquanto “Você é Linda” e “Sozinho” motivaram trocas de olhares e confidências entre os apaixonados.

Demais sucessos da Tropicália também foram celebrados no decorrer da noite e exaltados nos telões. A interpretação da música “Filhos de Gandhi” trouxe à Arena o talento de Gilberto Gil. Já a fala “Gal para sempre” foi entoada por Caetano e seguida pelas marcantes “Baby” e “Vaca Profana”, em uma homenagem à cantora Gal Costa, que faleceu em 2022.

A música “Menino Deus”, composição de Caetano inspirada pelas paisagens porto-alegrenses, fez uma aparição inédita no setlist e encerrou o show na capital com o eco de versos que enaltecem a cidade. “Um porto alegre é bem mais que um seguro na rota das nossas viagens no escuro.”

Desde agosto do ano passado, a dupla atraiu multidões às capitais do país em uma turnê que, pela primeira vez desde 1978, trouxe os filhos de Dona Canô reunidos no mesmo palco. Com composições que tatuaram a história da música brasileira, vozes inconfundíveis e uma performance tocante, Caetano e Bethânia encerraram sua turnê com maestria em Porto Alegre.

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Confira galeria do show:

Como você conheceu Caetano Veloso e Maria Bethânia?

Foi através de uma trilha sonora de novela? Durante algum programa de televisão? Ou foi na escola, durante as aulas? De alguma forma nós, brasileiros, em algum momento da vida conhecemos os irmãos que subiram ao palco neste sábado.

O show em Porto Alegre foi o último de uma turnê que começou em agosto de 2024 e arrastou cerca de 550 mil pessoas para estádios em todo o Brasil. O mais fascinante é que muitos dos 38 mil presentes na Arena conheceram a dupla através do pais. Seja com música em casa, seja com música no rádio do carro, o que importa é repassar a história que os dois ícones da música carregam dentro da própria família.

É o caso de Leila, 55, e Gabriela Mautoni, 27, que vieram de Florianópolis para assistir ao show. Segundo Leila, ela conheceu os músicos pelos pais e, claro, repassou o gosto musical para a filha. “Tinha muita música da Bethânia no programa dos Trapalhões e eles interpretavam ali, então eu acho que conheci dali. Mas tive muita influência da minha mãe também. E com a Gabriela, eu colocava ela na cadeirinha do banco de trás do carro e colocava o CD para levar ela para o colégio.”

Caetano, 82, e Bethânia, 78, são símbolos da cultura brasileira. São a história viva. Ambos despertam no público a sensação de liberdade, seja com o canto manso de Caetano ou com a voz marcante de Bethânia. Foi isso que Liliana, 70, e Sidnei Soares, 72, disseram. A torcida era para que não faltasse “Alegria, alegria” no repertório. “É um ícone da nossa juventude. Uma sensação de liberdade. É essa a palavra”. Dito e feito. Para a alegria do casal, logo na abertura do show, os acordes eram de “Alegria, Alegria”.

Casados há 50 anos, Liliana e Sidnei já tinham visto Caetano duas vezes, mas era a primeira vez que veriam Maria Bethânia. As expectativas estavam altas. E mais uma vez, o poder da música vai passando de geração em geração. “Nós temos uma netinha de 3 anos que o sonho dela é ver o Caetano. Ela gosta do Caetano, Gil e Gal Costa.”, disse Liliana.

Os músico são considerados parte da família do público, criam laços com pessoas que nem imaginam e fortalecem conexões entre casais, entre mãe e filha, entre avós e netos, e por aí vai.

*Sob supervisão de Luiz Gonzaga Lopes

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