Quatro motoristas de van falando sobre cinema. A ideia pode parecer absurda, mas desde 2016 tornou-se um sucesso na internet graças ao “Choque de Cultura”, programa que tornou Caito Mainier, Daniel Furlan, Leandro Ramos e Raul Chequer figuras conhecidas do grande público no audiovisual brasileiro. As plataformas variaram ao longo desses quase dez anos, mas a aceitação apenas aumentou. Agora, as tramas de Rogerinho, Renan, Julinho e Maurinho vão virar série, com previsão de estreia para o dia 12 de dezembro no Canal Brasil. Na trama, os personagens aparecem em algum momento do futuro após o final do “Choque”.
Na quinta-feira, Caito Mainier esteve na Capital dentro da programação do Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre para participar, ao lado de Paulo Vieira, de um painel sobre outra série de sucesso: “Pablo e Luisão”. O Correio do Povo aproveitou para conversar com o ator e roteirista sobre “Choque de Cultura – A Série”, os dez anos do programa em 2026 e o filme do “Falha de Cobertura” que deve ser lançado também no ano que vem. Abaixo, os principais trechos:
A SÉRIE
“A ideia nasce da nossa própria maneira de fazer os programas, sempre pensando as histórias além da câmera. Sempre fomos fãs de programa de televisão precários. Não interessava para nós o ridículo do precário, mas sim aquilo que não estava lá, o que estava por trás, o que diziam quando olhavam para fora da câmera porque tinha um defeito. Nosso interesse era sobre como esses personagens transbordavam as histórias.
Então todos nossos personagens, tanto no ‘Choque de Cultura’ como no ‘Falha de Cobertura’, estão levando para dentro do programa as histórias da vida. Então o Renan fala do Renanzinho, o Julinho fala dos empreendimentos, o Maurílio das aventuras dele de cinema, o Rogerinho mais desse universo da van e tal. Então era natural que a gente quisesse mostrar isso também, filmar essa parte que não está dentro dos programas.”
A OPÇÃO DE SÉRIE E NÃO DE FILME
“A gente já teve oportunidade de fazer filme, mas no Brasil principalmente, o processo de se fazer um filme, é muito longo, são ciclos longos e depende de muitos agentes. O ‘Choque de Cultura’, por ser uma coisa mais complexa, acho que nunca avançamos, apesar de muitas ideias, em um conceito único para entrar nesse lugar, batalhar uma distribuidora, uma produtora, um estúdio, um edital. Estivemos perto disso acontecer, mas efetivamente não aconteceu. Quando rolou a coisa da série, foi uma questão de oportunidade. Era um edital de série, a gente tinha uma ideia e a coisa avançou.”
A VOLTA DO CHOQUE
“O ‘Choque de Cultura’ é como o ‘Falha de Cobertura’. Dá trabalho, mas é muito prazeiroso fazer. Do ponto de vista de produção, é um produto muito barato, quatro caras em cima de três tabelas em um estúdio cinza. Tem muito trabalho de roteiro e de roteiro de ensaio. Está muito mais na nossa mão. O que aconteceu é que a gente fez um hiato por conta da série. Como a gente tem um tempo escasso, todo mundo produz muito ao longo do ano, normalmente tentamos reservar um mês ou dois para fazer alguma coisa do Choque. E aí usamos para a série.
Como ela tem um ciclo mais longo, usamos estes dois anos para concepção do roteiro, leitura, adaptação, edital, completa o roteiro, a gente trabalha bastante o texto. Então ocupamos bastante o tempo fazendo a série. E aí depois filma a série, monta a série e agora entrega. Ano que vem, em 2026, vai fazer 10 anos do primeiro Choque de Cultura, do Harry Potter. E a gente quer fazer uma nova temporada. Classicona, comemorativa, mas classicona. Os quatro pilotos falando de cinema, dos lançamentos do ano e vamos nessa.”
O FILME DO FALHA DE COBERTURA
“Já aconteceu. Foi filmado este ano, a gente vai filmar a última parte na Polônia, dia 22 de novembro. Já filmamos 98% do filme, vamos para a Polônia fazer as últimas cenas de externa porque precisava ter neve. O filme chama ‘Passaporte para a Polônia’ e ano que vem estreia em todo o Brasil”.
MUDANÇAS COM O TEMPO
“Os dois têm muita pesquisa. O que acontece, o ‘Falha’ tem uma trajetória muito interessante, fazemos ele desde 2014 e ele sempre teve o público dele. Os vídeos davam 30 mil no começo, depois 70 mil, daqui a pouco chegava em 150 mil. E durante muitos anos foi assim. Até hoje é assim, um pouco mais atualmente. O que mudou, principalmente nos últimos dois anos, e eu atribuo um pouco à chegada do Casemiro nesse lugar, é que um público maior passou a ter contato com o futebol de uma maneira engraçada, feita de maneira despojada, não se levando tão a sério, mais espontânea. E uma coisa que ajudou muito o falha foram os cortes.
O ‘Falha’ a gente no começo, sempre fazia ele pequeno por conta da própria característica da rede. A gente fazia um vídeo de 10, 15 minutos e falava de um jogo só. De uns dois anos para cá, por conta dos cortes, começamos a fazer episódios de 40, 45 minutos, em que podemos falar de todos os times, ou pelo menos a maioria, e depois nas redes as pessoas vão lá e fazem esses cortes. E acaba que esses cortes começam a atingir mais gente. Acho que a gente está vivendo esse hype do ‘Falha’ por conta disso. Mas ele tem um grupo de roteiristas, que sou eu, Daniel Furlan, Pedro Leite e Gustavo Vilela. E a gente está sempre no grupo falando de futebol, lendo notícia, vendo notícia. Quanto mais verdadeiro, para nós melhor.”