Campanella é diretor de filmes que foram sucesso de público e crítica no Brasil, como “O Filho da Noiva” (2001), “Clube da Lua” (2004”) e “O Segredo dos Seus Olhos” (2009). Ele se disse muito orgulhoso de receber o troféu e ressaltou o evento como o maior em termos latino-americanos. Acrescentou ainda que na Argentina se tem pouco acesso aos filmes brasileiros. “Deveria haver mais intercâmbio entre nossas culturas”, sugeriu.
Sobre o que mudou na sua vida depois que o filme “O Segredo dos Seus Olhos” recebeu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2010, surpreendentemente Campanella diz que praticamente nada. “Duas semanas após receber o Oscar, eu comecei um novo filme meu, uma animação, que me consome até hoje. Isso me impediu de aceitar novos convites para dirigir”, explicou. A animação, que tem o título “Metegol”, deve estrear em junho de 2013. “Se eu soubesse o que era produzir e dirigir um filme de animação, não teria me metido nisso. Não tenho mais férias, feriado... não tenho vida”, desabafou, sorrindo.
Sobre aceitar trabalhos em Hollywood, Campanella diz que não tem problema com isso, desde que toda a equipe queira fazer “o mesmo filme”. Ele diz ter se acostumado a fazer o que quer em seus longas, sem a interferência de executivos ou produtores. “Não tenho problemas em ter um chefe, mas sim em trabalhar com alguém que sabe menos do que eu”, alfinetou.
Falando sobre sua carreira, o diretor diz que desde criança gostava de escrever e contar histórias e nem sabe precisar ao certo como surgiu vocação para ser cineasta. Cresceu na época em que os cinemas tinham uma programação diferente a cada dia, com duas sessões diárias. Fez ainda uma confissão: “Nunca gostei de futebol, o que me fazia sofrer quando menino”, relembrou. “Sei para que para os brasileiros e para os argentinos dizer isso pode ser decepcionante, mas tenho interesse por outras coisas”, comentou em entrevista.
Mesmo no seu filme “O Segredo dos Seus Olhos”, que tem uma sequência em um estádio de futebol, o diretor comenta que aquela era uma paixão de seu personagem, mas não dele. Sobre o fato de trabalhar frequentemente com Ricardo Darín como protagonista, Campanella diz que não gosta de usar o termo “ator-fetiche”, como se diz de muitos cineastas que usam frequentemente um mesmo artista em seus filmes. “Darín é um grande ator. Temos um senso de humor e de dramaturgia muito similar. Mas não gosto de chamá-lo de ator-fetiche, acho isso um pouco pejorativo pelo respeito que tenho a ele”, comentou.