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Cannes supera apagão e se prepara para o anúncio da Palma de Ouro

Ato de sabotagem causou falta de energia no sudeste da França

Um relógio parou, marcando alguns minutos depois das 10h, horário em que uma grande queda de energia atingiu o sudoeste da França, em uma torre no bairro antigo de "Le Suquet", em Cannes
Um relógio parou, marcando alguns minutos depois das 10h, horário em que uma grande queda de energia atingiu o sudoeste da França, em uma torre no bairro antigo de "Le Suquet", em Cannes Foto : Valery Hache / AFP / CP

O Festival de Cannes entrega neste sábado (24) a Palma de Ouro, após a exibição de 22 filmes na mostra competitiva, depois que a cidade ficou várias horas sem energia elétrica devido a um ato de sabotagem que causou um grande apagão no sudeste da França.

A cidade de 73.000 habitantes estava retomando progressivamente a normalidade após o apagão, atribuído a 'atos mal-intencionados' segundo a prefeitura. Durante a madrugada, um incêndio foi declarado em uma central de produção de energia elétrica e um poste de uma linha de alta tensão em Cannes foi sabotado, segundo fontes oficiais.

O Palácio do Festival, na Croisette, dispõe de seu próprio gerador e a organização explicou que a cerimônia poderia acontecer 'em condições normais', mesmo com o apagão. O corte de energia elétrica afetou quase 160.000 imóveis.

O júri, presidido pela atriz francesa Juliette Binoche, anunciará os vencedores em uma cerimônia que começará às 18h40 locais (13h40 de Brasília).Um dos favoritos à Palma de Ouro, segundo os críticos, é 'Sentimental Value', do diretor norueguês Joachim Trier, que provavelmente recebeu a maior salva de aplausos dos 22 filmes em competição. O filme narra o relacionamento complicado entre um diretor de cinema no fim da vida (Stellan Skarsgard), que deseja retomar o relacionamento com as suas duas filhas, especialmente com a mais velha, Nora, interpretada magistralmente por Renate Reinsve, a quem propõe um papel em seu próximo filme.

Outro destaque da mostra é 'Sound of falling', da jovem diretora alemã Mascha Schilinski. No último dia de competição, sexta-feira, 'Jeunes mères', a história de cinco adolescentes mães ou grávidas, emocionou os críticos. Os irmãos belgas Luc e Jean-Pierre Dardenne podem entrar para a história e conquistar sua terceira Palma de Ouro (após 'Rosetta' em 1999 e 'A Criança' em 2005) com o longa-metragem de estilo sóbrio, quase documental. Neste sábado, o filme dos diretores belgas recebeu o prêmio ecumênico, concedido à margem do festival.

BRASIL

O brasileiro ‘O Agente Secreto', de Kleber Mendonça Filho, também foi muito elogiado. O longa-metragem brilha por seu roteiro e encenação perfeita, que reproduz o Brasil turbulento do período da ditadura militar. Wagner Moura interpreta um professor que decide voltar a Recife em 1977 para tentar recuperar seu filho, sem saber que colocaram um preço em sua cabeça.

O júri tem outros filmes de tom político para escolher, além de forte simbolismo. Dois iranianos se destacam: Jafar Panahi, diretor multipremiado, mas que há 15 anos não conseguia comparecer a um festival internacional. Preso em duas ocasiões, torturado e perseguido pelo regime dos aiatolás, Panahi narra em 'Um simples acidente' a terrível escolha enfrentada por um homem que acredita ter reconhecido seu torturador. Panahi conseguiu comparecer a Cannes. Filmado clandestinamente, seu filme é um ataque frontal contra o governo. Seu compatriota Saeed Roustaee apresenta em 'Woman and child' outra forte personagem feminina (Parinaz Izadyar), na pele de uma viúva que não consegue controlar seu filho rebelde.

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