A diva natural de Munster, na Alemanha, aos 47 anos, radicada em Nova York, exerce um fascínio por onde passa por conseguir reunir inúmeras composições de autores clássicos e contemporâneos do século XX. Seja no clima de cabaret, de casas de tango, ou em musicais da Broadway, West End ou Berlim, Ute tem uma voz única e irá interpretar em Porto Alegre os clássicos de compositores como Andrew Lloyd Weber, Astor Piazzola, Horácio Ferrer, Marlene Dietrich, Edith Piaf, Tom Waits, Kurt Weill, Elvis Costello e Nick Cave, no show "O Último Tango em Berlim", com apresentação prevista para este domingo, às 21h, no Teatro do Sesi (Assis Brasil, 8787).
Na apresentação, com duração prevista para uma hora e 30 minutos, uma das mais concorridas do 17º Porto Alegre em Cena, a voz de Ute Lemper será acompanhada pela sonoridade do piano de Werner “Vana” Gierig e do bandoneon de Hector "Tito" Castro. Em maio de 2005, Ute Lemper fez o show de lançamento do 12º Porto Alegre em Cena no Theato São Pedro. Em entrevista ao Correio do Povo, Ute Lemper fala do repertório do show, da sua paixão pelo tango (em 2011, ela excursiona pelo mundo com o quinteto de Astor Piazzola), sobre gostar mais de cantar do que de dançar e de sua relação com o público porto-alegrense.
Correio do Povo - Você poderia falar um pouco sobre este show com tangos e canções de cabaré?
Ute Lemper - O "Último Tango em Berlim" é uma viagem de Berlim por Paris, Buenos Aires, Nova York, retornando então a Berlim. O espetáculo está destinado metaforicamente ao último momento da cultura livre em Berlim, antes do êxodo, antes que os nazistas tomassem conta de tudo. Começarei com o "Anjo Azul", "Berlim Cabaret Scene" e "The Weimar Time". Depois, haverá tango todo o tempo. O Kurt Weill sempre utilizou o tango como um elemento do comentário social e como sinal de sedução. Também cantarei algumas canções de Astor Piazzolla, o rei modernista do verdadeiro tango. Amo as sua canções, a poesia de Horácio Ferrer. Tem um temperamento altamente dramático da música com histórias sobre solidão, amor e ódio, capturando a decadência da grande cidade, o anonimato, os solitários e a violência psicológica.
CP - Conte-nos um pouco sobre o repertório, canções e compositores escolhidos para este show no Porto Alegre em Cena.
Ute - O mesmo existencialismo é explorado no universo francês das canções de Edith Piaf, Jaques Brel e muitas outras. O piano e o bandoneon estão contando as histórias comigo em um íntimo e frequentado caminho. A voz do bandoneon tem muito calor e autenticidade e ele se adequa perfeitamente ao universo alemão, francês e, é claro, ao argentino.
CP - Ute Lemper é cantora, pintora, atriz ou bailarina. Em qual destas formas de expressão, você se sente mais à vontade?
Ute - Eu sou definitivamente uma cantora, que gosta de contar histórias. Eu não tenho realmente dançado muito ultimamente, certamente eu não vou querer coreografias no meu show. Tudo tem de fluir somente com intuição e improvisação. Eu não queria acertar também muitas coisas antes do show. Eu gosto de inventar coisas novas a cada vez.
CP - Como você analisa a sua obra atualmente?
Ute - Eu tenho que manter meu instrumento fluído e aberto, expressivamente transbordante e livre. A história tem de ser bem pensada neste aspecto e inventada numa sensata e significativa linha. Tudo tem que ser verdadeiro e divertido.
CP - Você já conhece Porto Alegre e o seu festival Porto Alegre em Cena. O que você acha da cidade, do público e do festival cênico?
Ute - Eu estou muito feliz de cantar em Porto Alegre novamente. Eu me lembro ter um público muito apaixonando nesta cidade e confio que o show será de grande divertimento para todos novamente.