O show da cantora argentina Amelita Baltar, ex-mulher e musa de Piazzolla, na noite desse sábado, foi emocionante do começo ao fim. Ao interpretar mais de 20 músicas, durante quase duas horas, a cantora de 69 anos, mas com fôlego, voz e humor de uma pessoa com a metade da sua idade, conversou com o público sobre o amor por Porto Alegre e pelos gaúchos e contou algumas histórias de mestres do tango, como Astor Piazzolla, José Maria Contursi e Enrique Cadícamo.
A cantora já abriu o show em lágrimas, dizendo que era uma emoção muito forte voltar a tocar em Porto Alegre, onde disse se sentir entre amigos ou parentes. Misturando espanhol com um português quase perfeito, Amelita foi dando a dramaticidade certa a cada música, não sem antes contar a história de algumas delas. Um dos tangos não tão conhecidos intepretados pela diva tangueira foi “Fruta Amarga”, de Hugo Gutiérrez e Homero Manzi. Daí para a interpretação de alguns clássicos de Piazzolla e Horácio Ferrer, como “Balada para mi Muerte” e “Chiquilín de Bachín”, foi um pulinho.
Na metade do show, com o público visivelmente emocionado, Amelita deu um tempo para si, deixando os competentes e inventivos músicos Aldo Saralegui (piano), Sebastian Barbui (baixo), Ariel Hernández (bandoneon) e Demian González (bateria) mostrarem um arranjo criativo para “Libertango”, do mestre Piazzolla, com direito a efeitos sonoros do baixo e percussivos no bandoneon.
A parte final do show foi tão emocionante quanto à primeira. Amelita falou do compositor que mais entendeu a noite de Buenos Aires: Enrique Cadícamo. Ela ainda explicou que José Maria Contursi fez a letra de “Grisel”, pensando que nunca mais iria ver a mulher que dá nome à música, pois era casado. No entanto, quando o compositor enviuvou, acabou se unindo a musa. Sobre Piazzolla, Amelita revelou que o primeiro interesse do compositor foi por suas pernas, mas depois de uma audição para a opereta "Maria de Buenos Aires", no final da década de 60, Piazzolla passou a admirar a “linda voz” da cantora.
Amelita fez também a estreia mundial da música composta por ela e pelo baixista Sebastian Barbui: “Sería Fácil Decir” e ainda cantou “Vuelvo Al Sur” e a “Balada para un Loco”, que arrancou lágrimas e suspiros da plateia. No bis, interpretou “Milonga de La Anunciación”, da opereta María de Buenos Aires.
Cantora argentina emociona fãs de tango em show na Capital
Amelita Baltar interpretou canções tradicionais, como "Vuelvo al Sur" e "Balada para un Loco"