No próximo mês de julho, os gaúchos poderão conferir o novo trabalho do Capital Inicial, que São Paulo aplaudiu, na semana passada. "Das Kapital" foi ouvido por primeira vez nos palcos. O novo trabalho pode ser considerado, pelo seu contexto e pela sua nova linha de produção, um outro início para a banda. A quatro dias de entrar em estúdio para gravar o álbum, o vocalista Dinho Ouro Preto caiu do palco durante um show e sofreu um traumatismo craniano.
Uma infecção o manteve por ainda mais tempo internado. Mas nem por isso deixou de participar da concepção do trabalho. E foi na cama, enquanto se recuperava, que ele acompanhou os primeiros acordes que foram construindo a sonoridade do novo trabalho da banda. "Até por Skype ele esteve presente com a gente na construção do CD", resume Flávio Lemos, em entrevista por telefone. Irmão do baterista Fernando.
"Das Kapital" surge como uma nova produção e com uma nova sonoridade. Assim se constitui o trabalho da banda que, há 30 anos, percorre o caminho do rock brasileiro, com um forte apelo ante seus fãs. O grupo chega ao seu novo disco com uma musicalidade mais ajustada aos desafios sonoros da pós-modernidade.
Lemos é um dos primeiros a concordar que o novo produtor, David Corcos, na casa dos 30 anos, veio para dar um ar renovador aos tios roqueiros. "Das Kapital", título que brinca com a "bíblia marxista", aposta nos timbres de guitarra e na força da bateria. Retoca em detalhes que Corcos, que já trabalhou na equipe de nomes como da banda Franz Ferdinand, e produziu Seu Jorge e Marcelo D2, decidiu aprimorar no primeiro disco da banda depois do acidente que levou o vocalista Dinho Ouro Preto para o hospital.
"Quando finalmente começamos a gravar, descobri que não conseguia mais cantar", comentou recentemente Dinho. "Consultei vários médicos até descobrir que o problema era apenas físico. Tive de fazer mais fisioterapia e levei fonoaudiólogo para o estúdio", disse. A produção do novo álbum marca também nova fase da banda.
E Dinho confirmou: "Mudamos o produtor, a equipe, passamos a nos autoempresariar. Estamos empolgados com o recomeço. Mudamos porque estávamos bem, mas que corríamos o risco de ficar mecânicos, burocráticos, sem ousar. "Das Kapital" é o mesmo Capital Inicial de antes, mas, literalmente, renascido", resumiu.
A voz de Dinho Ouro-Preto continua sendo a marca registrada do trabalho do Capital Inicial. Já nos primeiros acordes, acompanhados da sonoridade de Dinho, é possível remeter à memória de outros importantes trabalhos da banda. Melodicamente ainda mais visceral, este novo CD vem com uma forte potência.
As batidas ainda mais ritmadas e fortalecidas, conferem ao trabalho uma energia contagiante. Dinho segue à frente, emprestando sua personalidade, que parece nunca envelhecer. Os trejeitos e a performance do cantor tornam seu trabalho algo reconhecível e imprimem sua personalidade intensa em todos os trabalhos da banda.
Em tempos de novas tecnologias, globalizações de economias e de culturas, o Capital Inicial parece manter-se imune a transformações que deem conta de uma nova cara para a banda. Surgida de seu impulso rock and roll, parece nem pensar em transformar-se, mantendo, de forma cada vez mais firme o que se constitui como a alma do grupo. Das batidas marcadas à poética fácil de digerir, Capital Inicial parece ter fôlego para muito mais.
Mantendo o ar de velha conhecida do público, mas ajustada aos "novos tempos", a banda traz também alguns dos elementos principais de sua trajetória reconhecida. Estão na lista aquelas músicas que "não podem faltar, como "Primeiros Erros" e "Música Urbana". E o resultado deste trabalho poderá ser visto e ouvido em Porto Alegre, em espetáculo que o Capital Inicial faz no dia 16 de julho, às 23h, no espaço do Pepsi on Stage.
Capital Inicial se apresenta em Porto Alegre em julho
Álbum "Das Kapital" marca um outro início para a banda