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"Carlos, o Chacal" é o protagonista do dia em Cannes

Telessérie de três capítulos é dirigida pelo francês Olivier Assayas

Carlos, o Chacal é protagonista do dia em Cannes
Carlos, o Chacal é protagonista do dia em Cannes Foto : AFP
Um filme de mais de cinco horas sobre o venezuelano "Carlos, o Chacal", personagem contraditório que esteve no centro da história do terrorismo internacional nos anos 1970 e 1980, é o destaque desta quarta-feira no Festival de Cannes. O jovem ator venezuelano Edgar Ramírez, que dá vida ao enigmático e megalomaníaco Ilich Ramírez Sánchez, é quem leva nos ombros a telessérie "Carlos", de três capítulos, dirigida pelo francês Olivier Assayas.

O filme, que será exibido no mesmo dia pelo Canal+ francês, tenta decifrar quem é este personagem, nascido em 12 de outubro de 1949 em Caracas e que agora está atrás das grades na França, cumprindo uma pena de prisão perpétua por crimes terroristas. "Outro cineasta teria feito de Carlos um estereótipo: seja um terrorista abominável e sanguinário, seja um revolucionário idealista e romântico. Mas Assayas não cai nisso,retratando as nuances do personagem", afirmou Edgar Ramírez, de 32 anos.

O filme tenta decifrar esta figura importante da extrema-esquerda internacional que se converteu num mercernário oportunista a serviço da espionagem de países do Oriente Médio e que foi detido pelos serviços secretos franceses em Cartum, em 15 de agosto de 1994.

O filme capta a transformação do personagem desde seu começo ao lado dos palestinos radicais, seus primeiros atentados em Londres até suas missões para o Iraque e a Síria, passando por seus esconderijos na Hungria e Alemanha Ocidental. "E, ao fazer isso, reconstitui uma época", explicou ainda o protagonista do filme, que provocou polêmica antes mesmo de estrear.

O longa foi criticado por Assayas ter consagrado um filme a um homem condenado por terrorismo, como também pela inclusão na mostra oficial do Festival de Cannes, já que se trata por um filme feito para a televisão, o que contraria os estatutos do Festival. Além disso, o Canal + é sócio oficial do Festival de Cannes, o que também alimentou a controvérsia. Esperando calar as críticas, os organizadores do evento incluíram o filme na seleção oficial do festival, mas fora de competição pela Palma de Ouro.

Na prisão, Ilich Ramírez Sánchez criticou o conteúdo do longa sobre sua vida por conter "falsificações voluntárias e irrisórias". “Carlos” está na penitenciária de Poissy, onde cumpre pena de prisão perpétua. "É uma manipulação, é uma mentira voluntária", concluiu.

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