Pelo menos duas escolas estão aptas a brigar pelo título de campeã do Carnaval de Porto Alegre 2015. A Estado Maior da Restinga abriu a primeira noite do Grupo Especial, na noite de sexta-feira, e a Bambas da Orgia encerrou o desfile na madrugada de sábado. Se depender da empolgação e da energia da torcida, a agremiação do Extremo Sul da Capital tem grandes chances de vencer. Homenageando Torres, a Tinga fez as arquibancadas levantarem e cantarem o samba-enredo, que falava dos mitos, das histórias e das atividades econômicas da cidade, além da beleza das praias.
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A bateria foi o ponto mais forte da escola. Os ritmistas não pararam nem após o término do desfile. Os foliões se dispersaram e foram para os barracões cantando e dançando. “Levamos o nosso bairro e a nossa cultura para a avenida”, contou a educadora social Tânia Freitas, 44 anos, que toca chocalho há oito anos na Estado Maior. “Passamos o ano inteiro nos preparando”, assegurou.
A Bambas, por sua vez, impressionou ao trazer a águia símbolo da escola toda dourada e batendo as asas no segundo carro. A empolgação dos 1,5 mil integrantes era contagiante e o enredo sobre a Bahia contribuiu para a boa impressão que a apresentação causou. O brilho das fantasias, trazendo o azul e o branco, cores da agremiação, fez bonito no Complexo Cultural do Porto Seco. O presidente Cleomar Rosa agradeceu a garra dos participantes. Ele dedicou o trabalho à mãe, falecida há seis meses.
Ao final, a escola, que teve quatro carros alegóricos e 20 alas, comemorou a forma como transcorreu o desfile e ouviu os gritos do público que ainda permanecia na arquibancada: “É campeã!”. A Acadêmicos de Gravataí fez o seu desfile sobre os cinco sentidos. Cores, aromas, sensações, imagens e sabores foram demonstrados nos carros alegóricos e nas alas da escola. A alegoria que mais chamou atenção trazia a Onça Negra, símbolo da Acadêmicos. Já a sincronia das coreografias compensava as fantasias pouco incrementadas.
Enquanto algumas escolas se posicionaram entre as favoritas, algumas cometeram erros que chamaram atenção do público. A União da Vila do IAPI, que tinha o enredo sobre a juventude do Brasil, deixou abertos muitos espaços entre as alas. A bateria recuou e o restante da agremiação não conseguiu acompanhar. Aparentemente nervosos, os participantes que empurravam o carro Musicalidade se atrapalharam e o veículo quase bateu na arquibancada próxima aos jurados. A porta-estandarte perdeu o adereço de cabeça quase no final do desfile. Contudo, a torcida aplaudiu a agremiação, que contou com bons carros alegóricos. Um tinha até uma pista de skate.
A presidente da Copacabana, Dalvenice Barbosa de Freitas, chorou, decepcionada com o desempenho. Faltaram componentes na ala das baianas, o que comprometeu. “Isso pode derrubar a escola, mas não podemos culpar ninguém. É um aprendizado”, disse. No entanto, ela afirmou que a Copacabana desfilou de forma muito bonita e a comunidade estava feliz. O prefeito José Fortunati avaliou que o Carnaval de Porto Alegre vive um momento especial. Para ele, o Porto Seco, onde ocorrem os desfiles, é um dos locais mais bem organizados do país.
Bambas e Restinga despontam como favoritas no Carnaval de Porto Alegre
Empolgação e energia das escolas contagiaram arquibancadas do Porto Seco