Com homenagem aos migrantes de São Paulo, o desfile da Gaviões da Fiel no Anhembi, no primeiro dia do Carnaval da cidade, chamou a atenção por sua rainha de bateria, a artista Sabrina Sato, e, como de costume, pela ausência da cor verde, que remete ao rival Palmeiras. Vestida de cangaceira, Sabrina atrasou alguns minutos para a concentração e chegou correndo para se posicionar. O primeiro carro alegórico apresentou bonecos gigantes com uma família de retirantes.
Participaram do desfile crianças e cadeirantes. Os integrantes da bateria se vestiram de cangaceiro e trouxeram imagens de xilogravura nos pandeiros e na percussão.
Destacaram-se fantasias com placas trazendo as palavras: esperança, sonhos, oportunidades e emprego. No samba-enredo, a letra falou em "garra de gavião", "mãos calejadas" e "dura realidade", para referir-se aos migrantes.
Foram distribuídas bandeiras da Gaviões da Fiel e muitos espectadores gritavam "Vai, Corinthians!" para incentivar a escola.
Formação
O enredo tem como título "Com as mãos e a garra de um povo sonhador, surge o contraste de uma nova metrópole - Sampa, lugar de sonhos, oportunidades e esperança". O tema foi desenvolvido pelo carnavalesco Zilkson Reis, que completou seu quarto ano consecutivo na escola. Ele registra ainda outra passagem pela Gaviões, entre 2009 e 2011.
As alas e carros alegóricos fizeram alusão à cidade de São Paulo. Com cinco setores, a escola foi dos sonhos dos migrantes, passou pela chegada, mostrou o trabalho dessas pessoas, as conquistas e, por fim, a criação de novas tradições. No ano passado, a escola foi a sétima colocada no carnaval.
Gabinete Corintiano, o secretário municipal dos Transportes e Mobilidade, Sérgio Avelleda, desfilou pela Gaviões. Ele evitou falar da gestão e não quis conversar com a imprensa. Antes de sair do camarote da Prefeitura de São Paulo para a concentração, ele gritou: "Vai Corinthians!".
Acadêmicos do Tucuruvi presta homenagem aos artistas de rua
Os cerca de três mil integrantes da Acadêmicos do Tucuruvi entraram no Anhembi na madrugada deste sábado em uma exaltação à arte de rua. O enredo tem como tema "Eu sou a arte: meu palco é a rua", com garra e entusiasmo que contagiaram o público.
Da comissão de frente com uma bailarina, a um carro alegórico com homens seminus e outro com mulheres, o público vibrou com um que tinha palhaços, trapezista e crianças. No último, latas de spray com mulheres e paredes repletas de grafite.
Os últimos instantes da Tucuruvi na avenida, no entanto, foram de tensão. A escola quase não conseguiu cumprir o tempo de uma hora e cinco minutos de desfile e se livrou por segundos de ser penalizada.
Tom Maior enfrenta sufoco com carro alegórico
A Tom Maior, primeira escola de samba a entrar na avenida no Anhembi, passou por um sufoco na entrada do primeiro carro alegórico. No Carnaval deste ano, a Tom Maior homenageou a cantora Elba Ramalho. Com o rosto do Padre Cícero, o veículo não fez a manobra correta para sair da concentração e precisou dar ré quatro vezes, o que atrasou a escola. Na tentativa de resolver o problema, o carro ultrapassou a linha amarela, que limita o espaço do desfile.
A dificuldade mobilizou pelo menos 20 membros da escola. O público vibrou quando o problema foi resolvido, quase dez minutos depois. O tempo mínimo do desfile de cada escola é 55 minutos e o máximo, 65 minutos. A Tom Maior desfila com fantasias que fazem referências à religiosidade e às festas regionais, como o Maracatu. Nas roupas, predominam as cores da escola: amarelo, branco e vermelho.
O sambódromo paulistano trouxe de polêmicas novas a um desfile com autorização religiosa. Primeira a desfilar, a Tom Maior homenageou Elba Ramalho, seguida pela Mocidade, que aproveitou para festejar seu jubileu de ouro. Na sequência, com aval da Igreja, a Unidos de Vila Maria falou de Nossa Senhora Aparecida. O Zimbábue, na África, foi o tema da Acadêmicos do Tatuapé. Sexta e penúltima a desfilar, a Tucuruvi falou de um tema que virou polêmica paulistana só após a escolha do enredo: o grafite. Os pets de Luisa Mell, tema da Águia de Ouro, encerram o primeiro dia de desfiles.
Acadêmicos do Tatuapé celebra povos da África
Atual vice-campeã do carnaval de São Paulo, a Acadêmicos do Tatuapé celebrou os povos da África na madrugada deste sábado no Anhembi. O enredo é intitulado "Mãe África conta a sua história: Do Berço Sagrado da Humanidade à Terra Abençoada do Grande Zimbabwe". Um dos destaques foi o penúltimo carro alegórico da escola, com crianças e integrantes da velha guarda, que contagiou o público. O desfile durou uma hora e um minuto.
Fundada em 1952 com o nome de Unidos de Vila Santa Isabel, a escola da zona leste teve uma trajetória de glória nos últimos anos. Após um jejum de seis carnavais, a Tatuapé voltou ao grupo especial em 2013. No ano passado, foi vice-campeã com uma homenagem à fluminense Beija-Flor de Nilópolis.
Em 23 de abril do ano passado, dia de São Jorge, a escola definiu o enredo de 2017. O projeto é o primeiro do carnavalesco Flávio Campello na Tatuapé. Ele substituiu Mauro Xuxa, quem assinou os últimos cinco desfiles.
Mocidade Alegre desfila banhada de dourado
O desfile da Mocidade Alegre foi um banho de dourado. A cor ouro tem uma razão: o grupo faz uma homenagem aos 50 anos da própria escola, fundada em 24 de setembro de 1967. Em 2017, a escola comemora seu Jubileu de Ouro. Vestidos de verde e vermelho, os homens e as mulheres da bateria da escola fizeram uma alusão a São Jorge.
A escola chegou ao desfile de 2017 com o enredo "A vitória vem da luta. A luta vem da força. E a força...da união!". O desfile teve uma ala com bobos da corte e palhaços que seguravam balões verde e vermelho, com um carro alegórico que teve a participação de crianças. Outro carro destacou símbolos de origem africana.
Águia de Ouro fecha primeiro dia
A Águia de Ouro, última escola a desfilar na passarela do samba no primeiro dia de carnaval de São Paulo, fez um desfile em homenagem à fidelidade dos animais. Cães famosos como Rin-Tin-Tin, Scooby Doo, Snoopy, Bidu, Dama e Vagabundo foram celebrados.
Além dos caninos, tigres, girafas, passarinhos, golfinhos e elefantes tomaram conta da avenida. Os cães também apareceram na comissão de frente, que sambou com pelúcias nas mãos, como fantoches. No samba-enredo "Amor com amor se paga. Uma história animal", um verso fez referência à ativista de causas animais, Luísa Mell. Outro trecho cantou um resumo do momento do desfile da Águia, com o céu já claro, após chuviscos durante a madrugada: "Amanheceu. Já garoou."
No desfile, até as renas foram lembradas e compuseram a fantasia de uma ala de papais noéis. Um carro alegórico exibiu pinturas que reproduzem filmes com protagonistas animais, tendo um boneco gigante da personagem Cruela Cruel como destaque. Em outro carro, com crianças em cima, havia personagens da Turma da Mônica.
Gaviões da Fiel mostra história de migrantes que formaram São Paulo
Integrantes da bateria se vestiram de cangaceiro e trouxeram imagens de xilogravura nos pandeiros e na percussão