Carnaval

"Não quero saber de onde vem o dinheiro", diz diretor da Beija-Flor

Escola campeã no Rio é suspeita de receber verbas de ditador da Guiné Equatorial

Enredo que ressalta a Guiné Equatorial é alvo de críticas e polêmica
Enredo que ressalta a Guiné Equatorial é alvo de críticas e polêmica Foto : Vanderlei Almeia / AFP / CP
Em entrevista à Rádio Guaíba na tarde desta quinta-feira, o diretor da comissão de carnaval da Beija-Flor, Luíz Fernando do Carmo, o Laíla, desabafou sobre a polêmica envolvendo o 13º título da escola carioca. “Eu não quero saber de onde vem o dinheiro e acho que a população não tem que se preocupar com isso, e sim com o dinheiro da Petrobras. No carnaval, é preciso olhar somente para o trabalho artístico e cultural feito pelas escolas”, disse.

A afirmação vem depois de algumas horas afastado da mídia e das comemorações do campeonato, já que Laíla afirma não estar atendendo à imprensa nem conversando com os componentes da agremiação desde a tarde de quarta-feira. Tudo isso é para preservar a imagem da Beija-Flor, que logo após a apuração do carnaval passou a ser acusada de receber verbas do ditador da Guiné Equatorial para realizar o enredo de 2015 em sua homenagem.

Cansado e bastante emocionado, o diretor falou que a escola já planejava falar sobre a África quando surgiu a proposta de abordar mais especificamente o país. “Não falamos de ditadura ou de política, e sim da integração de um povo que pode ser o mais desenvolvido da África nos próximos anos. A busca do governo de lá em fazer um carnaval aqui foi justamente para manter os laços de amizade com o Brasil porque muito interessa, segundo informações, aderirem à democracia”, revela.

Para Laíla, as críticas foram criadas por pessoas que buscam contestar o título da Beija-Flor, mas não devem refletir o pensamento de toda a população, afinal nem quando a escola levou as desigualdades do Brasil à avenida os julgamentos foram tão severos. “Nós temos muitos problemas aqui no país, muitos escândalos e ninguém fala nada", avalia.

O diretor da agremiação adianta que pode continuar criando enredos sobre outras nações, projetando, inclusive, que Cuba pode ser o tema de 2016, mostrando as relações com o Brasil e a retomada dos contatos com os Estados Unidos. Laíla, no entanto, encerra a entrevista salientando que o custo dos desfiles é cada vez mais alto, mas que é preciso encontrar formas de arcar com os valores para manter a alegria da comunidade, fato mais importante para a escola. “O que as pessoas têm que falar é comentar é trabalho social e de bem-estar que a Beija-Flor faz em benefício da comunidade e da sociedade do Rio do Janeiro, os empregos gerados e o cuidado para que todos estejam felizes na avenida”, conclui.

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