Parece esquema de guerra: 15,5 mil policiais com 3,3 mil viaturas e 1,8 mil militares do Corpo de Bombeiros. Monumentos cercados com grades, lojas fechadas, prédios públicos protegidos com tapumes, esquema especial de trânsito, ruas interditadas e reforço de contingente nas estações do metrô. Mas a batalha, no caso, só se for de confete ou fanfarra.
O silêncio das ruas desertas do centro da cidade é quebrado por grupos de foliões e vendedores ambulantes em busca do próximo bloco, que segue o som distante de tambores, metais ou carros de som. Na esquina da Avenida Presidente Antônio Carlos com Rua Santa Luzia, no centro, um grupo uniformizado de ritmistas guarda seus instrumentos depois da passagem do Cordão da Bola Preta, na tarde deste sábado.
Um casal discreto vem do Aterro do Flamengo em busca de mais folia na Praça 15. São de Salesópolis, interior de São Paulo, e passam o carnaval no Rio de Janeiro pela primeira vez. Com um amigo que mora no Rio, já tinham ido em blocos na Lapa, no jazz da Rua do Lavradio e em "um bloco de música do Nordeste", no Aterro. "Na nossa cidade, o carnaval é só à noite, de dia não tem nada", diz Natascha Ribeiro, formada em direito, com um chapeuzinho rosa de lantejoulas. Sem adereços, o bancário Denis Renó de Farias curtia o clima de festa da cidade. "Aqui no Rio é todo mundo fantasiado, todo mundo se divertindo, levando a sério o carnaval". Ele reconheceu a Assembleia Legislativa (Alerj): "não foi aqui aquela confusão nas manifestações?", questionou. Eles ficam até terça-feira, porque voltam ao trabalho depois da Quarta-Feira de Cinzas, apesar dos blocos saírem no Rio até o domingo, dia 22.
No metrô do Largo da Carioca, filas para entrar na estação e acessos exclusivos para sair. Um índio de sunga vermelha compra o bilhete enquanto o Super-Homem abraça a Mulher Maravilha na fila. No metrô é proibido andar sem camisa, mas não no carnaval, quando se torna o principal meio de locomoção, em meio a tantas interdições de ruas. Foliões com fantasias improvisadas se unem a passistas de escolas de samba com roupas elaboradas, nos vagões, e muitas vezes a cantoria de marchinhas continua nos subterrâneos, que está abastecido com cartazes indicando qual a estação mais próxima de cada bloco. Tudo pela facilidade na folia.
Rio vive clima de diversão com foliões fantasiados pelas ruas
Bloquinhos arrastam multidões por todas as regiões da cidade maravilhosa