Desde 1984 sem ganhar um título de campeã, a Portela desfilou este ano "para romper qualquer jejum", disse o carnavalesco da escola, Paulo Barros. Estreante na Portela, Barros afirmou que a agremiação procurou se livrar do "ranço" da tradição e fez a sua passagem para a modernidade, credenciando-se ao título.
"Eu acho que a Portela fez um desfile para romper qualquer jejum. O principal é que a Portela entendeu que precisava se modernizar, entendeu que tinha que fazer um desfile para competir, para ser campeã", disse o carnavalesco.
"Na verdade, esse ranço que colocaram em cima da Portela, da tradição, é muito pesado. Isso vem de fora, isso não é real, isso não é concreto. A Portela não é nada disso. É lógico que ela nunca vai deixar de ser tradicional, mas a Portela está cansada desse peso, ela não quer mais carregar esse peso nas costas. Ela quer ser campeã do carnaval, e ela entendeu que para isso tem que disputar com as armas da modernidade", acrescentou.
Barros contou ainda que a Portela foi sua primeira escola do coração. "É inusitado eu ser carnavalesco da Portela. Isso é a história da minha vida", disse. Sua continuidade na escola, no entanto, ainda será discutida com a direção.
Salgueiro faz ode ao malandro
Com uma ode ao malandro, o Salgueiro fez nesta segunda-feira na Sapucaí um desfile à altura do ampeonato com que tanto sonha. A escola, "mordida" por dois segundos lugares seguidos, em 2014 e em 2015, arrebatou a avenida com um samba de refrão contagiante e batida com sabor africano, que já era o mais cantado no pré-carnaval e ganhou mais força no Sambódromo. O casal de carnavalescos Renato e Márcia Lage retratou o malandro das ruas, dos becos, do boteco, do carteado, das corridas de cavalo, do teatro de revista e das religiões de matriz africana, "o rei das favelas", apresentado em carros alegóricos e fantasias ricamente executados.
Na figura do Zé Pilintra, entidade das mais importantes das religiões africanas que é exaltada no enredo, o malandro, de chapéu, terno branco e sapato bicolor ou na versão de camiseta listrada, sambou "num palco sob as estrelas", acompanhado de componentes caracterizados como a Pomba Gira. Potentes, as performances foram muito aplaudidas. A escola ganhou o público, que a saudou como campeã na dispersão. No domingo, somente a Beija-Flor, que fez um desfile sobre o Marquês de Sapucaí, mereceu essa deferência.
Sem ganhar desde 1984, Portela faz desfile para romper jejum, diz Barros
Salgueiro fez ode ao malandro