Arte & Agenda

Carolina Dieckmann atua pela primeira vez falando em espanhol

Atriz apresentou "O Silêncio do Céu" no Festival de Cinema de Gramado

Carolina Dieckmann está em "O Silêncio do Céu", longa que compete em Gramado
Carolina Dieckmann está em "O Silêncio do Céu", longa que compete em Gramado Foto : Carlos Mossmann / Pressphoto / Divulgação / CP
O longa-metragem “O Silêncio do Céu”, de Marco Dutra, foi exibido na noite de domingo dentro da programação competitiva do Festival de Cinema de Gramado. A equipe do filme esteve presente no evento, contando com a atriz Carolina Dieckmann, o diretor, o produtor Rodrigo Teixeira e o roteirista Caetano Gotardo.

O filme é brasileiro, mas foi rodado no Uruguai e é falado em espanhol. Por isso, Carolina revelou que um dos seus maiores desafios para interpretar esse papel foi atuar em uma língua que não é a sua materna e tornar isso natural em cena. Para a preparação, a artista teve aulas de espanhol por quatro semanas, além de conviver com os atores com quem contracena, como os argentinos Leonardo Sbaraglia e Chino Darín (filho de Ricardo Darín). O elenco masculino infelizmente não esteve presente no festival.

A temática deste drama com toques de suspense é a incomunicabilidade de um casal que, depois de um período de separação, resolve tentar novamente a vida a dois, ao lado dos filhos. “O silêncio é muito daninho para esse casal”, observa o roteirista Gotardo.

O filme começa com uma cena brutal de um estupro da personagem Diana, vivida por Carolina. O marido chega ao terreno da casa quando dois bandidos ainda estão violentando sua mulher e fica atônito, com medo de reagir e desencadear uma reação ainda mais violenta dos estupradores, que, ele vê por uma janela, estão com uma faca. Subitamente os criminosos saem correndo da casa sem que o marido tenha conseguido defendê-la.

Mas eles não o vêem e nem ela. Ele sai pela rua atrás dos dois, mas eles somem. Em seguida, ela lhe telefona pedindo que ele pegue as crianças na escola, mas não conta nada sobre o ocorrido. Esse ocultamento será o ponto de partida de uma das questões mais intrigantes da narrativa, especialmente para o homem, que é apresentado como uma pessoa com história prévia de várias fobias, como medo de avião.

Tentar esconder essa sua fragilidade faz com que o protagonista, que é um roteirista dentro da trama, crie uma “persona” para si mesmo, a fim de conseguir viver em um mundo que lhe exige certas posturas tipicamente masculinas. Além de ele, principalmente, cobrar a si mesmo. Os atores estão bem em cena, mas o que mais se destaca no filme é o seu roteiro e o desenho de som.

Desta forma, encontramos um longa complexo, que permite camadas de interpretações sobre diversas formas de violência. A trilha sonora apresenta composições brasileiras, com destaque para bossa nova, ainda que o silêncio seja imperativo na produção.

Assista ao trailer:

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