A partir desta segunda-feira, dia 5, às 19h, a Sala Nogueira (Rua Eng. Luiz Englert, 333) do Centro Cultural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre, recebe a exposição "No vazio do passo", do artista visual e ceramista Carusto Camargo. Com curadoria de Eduardo Veras, a mostra apresenta 18 fotocerâmicas que materializam a sensibilidade de uma caminhada — física, emocional e existencial — por paisagens, cidades, afetos e memórias. O projeto é mais uma das ações selecionadas no Edital de Ocupação 2024 do Centro Cultural da UFRGS. A mostra segue aberta ao público até o dia 19 de junho de 2025, de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h.
Observar, desvelar e tornar palpável esse vazio que confronta seus deslocamentos espaciais, sensitivos e temporais tem sido o destino de Carusto Camargo, sua respiração, nos últimos 17 anos. “Por desejo/necessidade de conferir uma materialidade caldosa e existencial, transpasso as fotografias para a fotocerâmica, uma técnica complexa que me tomou cinco anos até dominá-la e mais outras vários, que ainda se vão para transgredi-la poeticamente”, confessa.
A exposição ocupa duas salas e reúne obras criadas a partir de fotografias autorais. Na primeira, estão os trabalhos ligados à paisagem e ao processo técnico da fotocerâmica, como uma mesa de luz com acetatos e painéis sobre o Guaíba, Cabo Polônio e Santa Maria do Herval. Há, também, a foto “Os Náufragos”, feita a partir de objetos coletados em Itapirubá-SC. No centro, esculturas que remetem à paisagem de Morro Alto, em Maquiné-RS.
Na segunda sala, estão imagens de 2008, sobre coletores urbanos, e a série “De Andar por aí”, feita durante caminhadas e que marca um ponto de virada na trajetória de Carusto, quando a fotografia passou a ser compreendida não apenas como registro, mas como processo artístico completo. Também há naturezas mortas criadas na pandemia com objetos afetivos ou encontrados em feiras, revelando o cuidado do artista em transformar o cotidiano em poesia visual, além de um acervo de imagens que transitam entre o documental e o lírico.