O 32º Porto Alegre em Cena segue sua programação com muitas atrações e nesta terça-feira, dia 16, traz uma verdadeira força da natureza para o palco do Teatro Simões Lopes Neto (Riachuelo, 1089): Cátia de França apresenta o álbum “No Rastro de Catarina”, que concorreu ao Grammy Latino, em 2024, na categoria Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa em Língua Portuguesa. Os ingressos podem ser adquiridos no site oficial do Poa em Cena.
Para o encontro com o público porto alegrense ela convida a cantora, também nordestina, Juliana Linhares, nome destacado por Cátia como uma dos grandes talentos da nova geração.
Aos 78 anos, a cantora e compositora paraibana vive um dos momentos mais férteis de sua trajetória de cinco décadas na música, marcada pela mistura de poesia, ritmos populares e experimentação.a
Pela primeira vez os fãs do Rio Grande Sul poderão apreciar ao vivo as faixas do “No Rastro de Catarina”, gravado na Paraíba em clima de roda, “sem hierarquia e sem pressa”, como descreve Cátia, o álbum reflete sua essência coletiva e democrática, “a gente gravou todos de frente, olho no olho, como uma mandala”, conta.
No palco, Cátia será acompanhada por Daniel Carron (diretor musical e baixista), Ítalo Abelé (guitarra), Luiz Antônio (bateria) e Cristiano Oliveira (viola). Além do repertório do novo disco, o público também poderá ouvir clássicos de sua trajetória, como “Kukaya” e “Coito das Araras”.
Influenciada desde cedo pela paixão da mãe pela literatura e pela boemia de “sofrência” do pai, a artista construiu uma obra fortemente alicerçada em poesia. “Meu trabalho é todo fundamentado em literatura: João Cabral, Guimarães Rosa, Manuel de Barros. Isso vem de mamãe, que tinha uma das maiores bibliotecas da Paraíba”, relembra com carinha de Adélia Maria de França, reconhecida como a primeira educadora negra da Paraíba.
Mesmo após meio século de carreira, Cátia vê sua música chegar a uma nova geração que canta junto.. Segundo ela, a internet foi determinante nesse processo, “Não precisa mais de jabá de rádio. Minha discografia foi disponibilizada e o público jovem abraçou”.
Com uma vida dedicada à arte, à espiritualidade e ao compromisso político, a cantora resume sua missão: “Não estou aqui só para usufruir. Minha música é para compartilhar, mudar o mundo e lutar por quem não tem acesso à cultura, à saúde, à moradia”.
Reconhecida por sua ousadia e pioneirismo como mulher negra, lésbica e nordestina no cenário musical dos anos 1970, Cátia segue abrindo caminhos, como por exemplo ao lado de jovens artistas como Juliana Linhares e Josyara — com quem tem dividiu o palco recentemente no Coala Festival.