A apresentação será nesta sexta-feira, às 21h, no Teatro do Sesi (Assis Brasil, 8787), e integra o projeto Banco do Brasil Covers, que neste ano consta de três shows idealizados e dirigidos por Monique Gardenberg. O primeiro foi na última quarta-feira, com releituras dos Beatles.
Em oito intensos anos de carreira, Cazuza deixou 234 músicas, sendo que uma parte ainda permanece inédita. Líder do Barão Vermelho e com uma carreira solo meteórica, Cazuza compôs verdadeiros hinos como "Brasil" (em parceria com George Israel e Nilo Romero) e a balada “Todo amor que houver nessa vida” (com Frejat, seu mais frequente parceiro). O roteiro da apresentação de Maria Gadú vai misturar músicas gravadas por Cazuza com o Barão Vermelho e composições da profícua carreira solo do cantor.
Com apenas quatro anos de carreira fonográfica e autora de sucessos como Shimbalaiê e Linda Rosa, a cantora e compositora tem extrapolado as fronteiras nacionais, com parcerias com o compositor norte-americano Jesse Harris e em shows de Alicia Keys. Em entrevista ao Correio do Povo, Gadú diz ser admiradora da poética, das analogias e das figuras de linguagem de Cazuza, que foi uma das suas influências.
Correio do Povo - Qual a tua identidade com a música e a vida do Cazuza?
Maria Gadú - Não pude acompanhar disco a disco e nem a andança do Cazuza pela música, pois quando nasci, Cazuza já estava no final da vida. Eu tinha apenas quatro anos. Minhas memórias são do presente completo que eu recebi do Cazuza, que foi uma obra inteira. Lembro de Todo o Amor que Houver Nessa Vida, que foi uma das primeiras músicas dele que eu escutei e que achei uma das coisas mais lindas e maravilhosas do mundo.
CP - Qual a influência do Cazuza na tua carreira?
Gadú - Eu não penso nisso na hora em que estou escrevendo, mas tudo que a gente faz tem a carga do que a gente admira. Tudo que a gente escuta influencia, principalmente na hora de fazer música. O Cazuza tinha uma forma poética bonita, de simplicidade e de pequenas analogias. São coisas que eu gosto muito. Do poema direto e que ao mesmo tempo usava elementos para produzir algumas coisas, figuras de linguagem.
CP - Como será o repertório do show do Banco do Brasil Covers?
Gadú - Não obedecemos uma ordem cronológica ou de estilo para escolher o repertório. Na verdade, pincei coisas que eu me identifico mais. Cazuza é um cara que merece uma homenagem de um show inteiro, com uma obra vasta, apesar de pouco tempo de carreira. Eu tive que escolher, entre milhões de discos, 22 músicas, e me arrepiei a todo o instante ao fazer a seleção. Não foi fácil!
CP - Como tu analisas este projeto no qual os ídolos de uma geração interpretam e releem canções de ídolos de geração anterior?
Gadú - Acho a oportunidade fantástica. Às vezes ficamos tão imersos nos nossos projetos discográficos... Esse lance de compor e cantar suas próprias canções. A maravilha de mergulhar em outras poesias, outras melodias, é emocionante! Como se ali ficasse uma linha linda de intimidade e cumplicidade. Estou conhecendo um Cazuza que não vivi, mas que amo como se fosse um amigo.