O diretor carioca, residente desde os 16 anos em Curitiba, não queria fazer uma colagem de textos, e sim se deixar afetar por sua potência múltipla. "É uma provocação à cidade, fizemos questão de estrear lá", fala sobre sua sede, a capital paranaense, onde faz atividades de formação, promove intercâmbios e concebe os espetáculos. A peça percorreu vários locais, ganhou o prêmio Bravo! Bradesco Prime de Cultura de Melhor espetáculo 2010 e após retornar de Porto Alegre, faz temporada em São Paulo.
Dois homens e duas mulheres ensaiam, numa banda, para a apresentação do jubileu de uma cidade fictícia. Fechados numa sala vazia, convivem entre si e revelam comportamentos, relações, conflitos e histórias de duas vidas prosaicas, repletas de humor, sensibilidade e um sentido de transformação. Os personagens têm trajetórias diferentes e estão trancados numa sala sem janelas. Um pensa sobre a morte, outro não fala, um terceiro é apegado a questões do cotidiano e tem ainda um pensador, que faz a relação deste interior com perspectiva mais universal. "São pessoas que não são daquele lugar e são praticamente exiladas, impedidas de estarem em seu local de origem", explica Márcio.