O espetáculo, livremente inspirado em “Belle de Jour”, livro de Joseph Kessel (1928), que também foi base para o filme de Luis Buñuel “A Bela da Tarde”, de 1967, que tem Catherine Deneuve no papel de Séverine/Belle, mulher infeliz no casamento que trabalha no bordel de Madame Anais para satisfazer fantasias eróticas de homens ricos.
Paixão, amor e desejo marcam os passos do espetáculo, com fortes doses de sensualidade e erotismo, este que nunca esteve tão presente no trabalho de Deborah. “Essa mulher se divide entre duas servidões. Esta é uma questão humana, de todos nós”, afirma Deborah, que dividiu a personagem principal em duas, Séverine e Belle, vividas por diferentes bailarinas, uma é o transbordamento do desejo contido na outra.
Segundo a coreógrafa, “a Belle dentro de Séverine é tão forte que merecia um físico diferente, pois em dança tudo se traduz no corpo. A atitude contemporânea é a ausência da fórmula”, afirma a coreógrafa. A criação e a direção são de Deborah, com direção executiva de João Elias, direção de arte e cenografia de Gringo Cardia, direção musical de Berna Ceppas, desenho de luz de Jorginho de Carvalho e figurinos de Samuel Cirnansck.