“O Desejo do Outro” é a 13ª produção da Cia. Provisório-Definitivo, com produção executiva de Paula Arruda e Pedro Guilherme, que também assina o roteiro, em que ritualiza a crise pandêmica do Coronavírus com a crise pessoal da perda do pai, no momento em que o artista enfrenta a doença e possível morte da mãe. Dirigido por Aline Filócomo, da Cia. Hiato, estreia hoje, com sessões gratuitas nas sextas e sábados, 20h, até 29 de maio, pelo canal do Youtube de Pedro Guilherme.
Durante a peça, sem um entendimento do que Pedro busca com esse encontro, o público vai vendo-o desvelar fatos e segredos de pai e filho. O ator contracena com as falas escritas por ele mesmo para serem ditas pelo seu pai, projetadas num telão. Ele disseca objetos num retroprojetor, que quando projetados no cenário, ganham contornos de imagens microscópicas de vírus, células, amálgamas de DNA, glóbulos e amebas, como seu pai fez quando era pesquisador científico ao dissecar materiais laboratoriais para exames diagnósticos. Pedro vai investigando até revelar a doença que levou à morte do pai: seu pai era homossexual e a doença misteriosa que o acometia era AIDS. Trata-se de uma busca por desmantelar preconceitos e situações mal resolvidas.
Com uma estrutura híbrida, feita metade como teatro e metade como filme, a encenação sobrepõe figuras reais, imaginadas e projetadas, assim como gestos e palavras. A exemplo de um laboratório científico, onde o personagem do pai passou toda a sua vida, a encenação experimenta combinações e gradações possíveis de ficção e realidade, recria momentos vividos e testa possibilidades de encontros impossíveis. A criação de vídeos é de Grissel Piguillem Manganelli e transmissão para o streaming de Gustavo Bricks.
Sobre o novo trabalho, o grupo expõe: “As crises, dramas, perdas e tragédias fazem parte da trajetória de uma vida. Como elaboramos esses processos também. Muitas vezes, não é possível no momento de uma relação com alguém, entender todos os aspectos envolvidos. As pessoas se afastam, mudam, morrem. Daí, muitas vezes, a necessidade de uma elaboração individual de algo que aconteceu com o outro. Mas, ainda assim, é possível pensar como seria bom voltar no tempo e ter dito ou feito algo diferente, ou mesmo chamar a pessoa muito tempo depois para ressignificar, ou fechar algo que ficou inacabado. É pensando na premissa que surge a peça”.