A modernidade em sua concepção histórica partiu dos ideiais iluministas do final do século XVIII, ganhou corpo com o romance moderno no século XIX e teve sua experiência mais radical a partir da segunda metade do século XX, quando os sentimentos existenciais, a perda de referências familiares, o urbano falando mais alto do que o rural e o tecnológico se sobrepondo às relações humanas. A prefeitura de Porto Alegre, por meio da Coordenação do Livro e Literatura, da Secretaria Municipal da Cultura (SMC) programou, para a 63ª Feira do Livro de Porto Alegre, do período entre 6 a 19 de novembro, o ciclo de palestras Clássicos da Modernidade. Os encontros estão sendo realizados diariamente, entre 18h30min e 20h30min, na sala O Retrato, do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, (rua dos Andradas, 1223).
Conforme o coordenador do Livro e Literatura da SMC, Sergius Gonzaga, a industrialização e a urbanização do ocidente, a partir da segunda metade do século XIX, radicalizou a experiência da modernidade. Os pilares que sustentavam as tradições desmoronaram. Ao mesmo tempo, o novo homem tinha diante de si uma abundância de opções, de liberdade de ser e existir. "Assim, desamparo e euforia, perda e possibilidade de triunfo, solidão e participação nos rituais urbanos alternavam-se em uma existência para sempre problemática. Estava nascendo o nosso tempo", analisa Sergius.
Ao todo, são 20 obras e temas consideradas clássicas neste período de quase dois séculos e meio. Nos dois primeiros dias, segunda e terça, foram abordados os seguintes temas: “A experiência da modernidade”, com Sergius Gonzaga (Ufrgs); “A democracia americana” (Toqueville), com Rodrigo Lemos (UFCSPA); “Madame Bovary” (Flaubert), por Altair Martins (escritor/PUC); e “A morte de Ivan Ilicht” (Tolstói), por João Armando Nicotti (escritor).
As discussões têm como pano de fundo obras literárias que moldaram o pensamento moderno em suas várias correntes, com autores como Karl Marx, Flaubert, Nietzsche, Eça de Queirós, Sigmund Freud, Virginia Woolf, Sartre, Camus, Faulkner, Kafka, Jorge Luis Borges, Italo Calvino e outros mestres da literatura universal. Nesta quarta, os encontros são: 18h30min – “Assim falou Zaratrustra” (Nietzsche), por Felipe Karasec (professor); 19h30min – “A dama e o cachorrinho” (Tchekhov), por Denise Sales (Ufrgs).
São dois encontros por dia, sempre às 18h30min e às 19h30min. Veja quais serão os próximos encontros e programe-se:
Clássicos da Modernidade
Quarta-feira, 8
18h30min: Assim falou Zaratrustra (Nietzsche), por Felipe Karasec (professor)
19h30min: A dama e o cachorrinho (Tchekhov) Denise Sales (Ufrgs)
Quinta-feira, 9
18h30min: Os Maias (Eça de Queirós), por Maria da Glória Bordini (Ufrgs)
19h30min: O manifesto comunista (Marx), por Felipe Pimentel (historiador/psicanalista)
Sexta-feira, 10
18h30min: A origem das espécies (Darwin), por Luis Roberto Goldim (Ufrgs)
19h30min: Poemas (Kaváfis), por Pedro Gonzaga
Sábado, 11
18h30min: A interpretação dos sonhos (Freud), por Liane Pessin (Unisinos)
19h30min: Mrs.Dalloway (Virginia Woolf), por Ricardo Barberena (PUC)
Segunda-feira, 13
18h30min: O estrangeiro (Camus), por Léa Masina (professora)
19h30min: A cavalaria vermelha (Babel), por Luís Augusto Fischer (Ufrgs)
Terça-feira, 14
18h30min: Homem invisível (Ralph Ellison), por Luiz Mauricio Azevedo (Ufrgs)
19.30min: O som e a fúria (Faulkner), por Gustavo Mello Czekster (escritor)
Quarta-feira, 15
18h30min: U.S.A. (John dos Passos), por Antonio Hohlfeldt (PUC)
19h30min: Os demônios (Dostoiévski), por Eduardo Wolf (filósofo)
Quinta-feira, 16
18h30min: A era da inocência (Edith Warton), por Sandra Maggio (Ufrgs)
19h30min: A náusea (Sartre), por Nelson Boeira (Ufrgs)
Sexta-feira, 17
18h30min: Lolita (Nabokov), por Lúcia Serrano (psicanalista)
19h30min: O arquipélago Gulag (Soljenítsin), por Voltaire Schilling (historiador)
Sábado, 18
18h30min: Ficções (Borges), por José Francisco Botelho (escritor e tradutor)
19h30min: O segundo sexo (Simone Beauvoir), por Maria do Carmo Campos (Ufrgs)
Domingo, 19
17hmin: O processo (Kafka), por José Hildebrando Dacanal (escritor)
18h: As cidades invisíveis (Calvino), por Márcia Ivana Lima e Silva (Ufrgs)
Ciclo de palestras discute a modernidade em 28 clássicos na Feira do Livro
Atividade é organizada pela Coordenação do Livro e Literatura da SMC