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Cinco pérolas do cinema brasileiro na Tela Brasil

Confira a seleção de cinco longas-metragens brasileiros disponíveis na plataforma que valem a pena serem resgatados

Entre curtas, médias e longas-metragens, a plataforma Tela Brasil estreou com 555 filmes
Entre curtas, médias e longas-metragens, a plataforma Tela Brasil estreou com 555 filmes Foto : Alina Souza

*Sob supervisão de Luiz Gonzaga Lopes

Ver cinema brasileiro nunca foi tão fácil. A Tela Brasil, recém-lançada plataforma pública e gratuita de streaming do audiovisual brasileiro, estreou com 555 filmes, com curtas, médias e longas-metragens.

Entre esses títulos, há destaques como “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, “Hora da Estrela” e o gaúcho “Ilha das Flores”. A seleção, entretanto, não para por aí. Dentre as obras, há também diversas pérolas escondidas do cinema brasileiro, nem sempre tão conhecidas ou vistas.

A plataforma é acessada através da conta gov.br. Não há cobrança de assinatura.

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Confira a seguir cinco indicações de longas-metragens para quem busca conhecer ainda mais do universo cinematográfico do Brasil:

“Era O Hotel Cambridge” acompanha os moradores de um edifício abandonado no centro de São Paulo | Foto: Aurora Filmes / Divulgação / CP

ERA O HOTEL CAMBRIDGE
2016 | dir. Eliane Caffé

Em um jogo entre documentário e ficção, que mistura cenas reais e encenadas, “Era O Hotel Cambridge” acompanha os moradores de um edifício abandonado no centro de São Paulo. Em meio à tensão da ameaça do despejo, o trabalho de Eliane Caffé cria um mosaico vivo das histórias dos refugiados recém-chegados e trabalhadores sem-teto que ocupam o que costumava ser o Hotel Cambridge. Com um final explosivo, o filme é marcado pela luta constante por moradia, mas também pela presença vibrante das pessoas que vivem essa realidade.

"Orfeu Negro" filma a lenda de Orfeu e Eurídice no ambiente do carnaval carioca | Foto: Dispat Films / Divulgação / CP

ORFEU NEGRO
1959 | dir. Marcel Camus

Com uma trilha sonora inesquecível composta por Tom Jobim e Luís Bonfá, “Orfeu Negro” é uma co-produção entre ítalo-franco-brasileira que filma a lenda de Orfeu e Eurídice no ambiente do carnaval carioca. Dirigido pelo francês Marcel Camus, o filme ganhou o Oscar de Melhor Filme Internacional em 1960 – só que representando a França, e não o Brasil. Apesar do olhar estrangeiro e fantasioso da cultura brasileira, a obra encanta com representação colorida e eufórica do Rio de Janeiro. E ainda há uma surpresa: o personagem de Orfeu é interpretado pelo ator e também jogador de futebol Breno Mello, que participou do elenco do Renner, vencedor do campeonato gaúcho em 1954.

“Carnaval Atlântida” é uma chanchada que tem como cenário as gravações de um filme do diretor Cecílio B. de Milho | Foto: Atlântida Cinematográfica / Divulgação / CP

CARNAVAL ATLÂNTIDA
1952 | dir. José Carlos Burle

Em um exercício metalinguístico, a chanchada “Carnaval Atlântida” tem como cenário as gravações de um filme de Cecílio B. de Milho – uma paródia do icônico diretor americano Cecil B. DeMille. Enquanto o personagem quer fazer um filme “sério”, a equipe de filmagem prefere fazer uma comédia musical. Estrelado por figuras marcantes do cinema brasileiro, como Oscarito, Grande Otelo e Wilson Gray, a obra trilha a corda bamba entre a crítica e a chacota, criando um resultado muito divertido e também consciente da existência política e precarizada do cinema brasileiro.

"A Noite do Espantalho" é um musical ambientado na cidade fictícia de Nova Jerusalém, no sertão de Pernambuco | Foto: Zem Produtora Cinematográfica / Divulgação / CP

A NOITE DO ESPANTALHO
1974 | dir. Sérgio Ricardo

“A Noite do Espantalho” é um musical dirigido pelo músico e compositor Sérgio Ricardo, que também assina a trilha sonora, interpretada por Alceu Valença e Geraldo Azevedo, parte do elenco. A história se passa na cidade fictícia de Nova Jerusalém, no sertão de Pernambuco. Comandada por Coronel Fragoso, o dono das terras quer expulsar a comunidade que vive lá. Com forte influência do Cinema Novo, o filme de Sérgio Ricardo é extremamente inventivo, de uma forma teatral e intensa, em sua tentativa de transpor a literatura de cordel para o cinema.

"A Mulher da Luz Própria" conta a história de Helena Ignez, atriz ícone do cinema marginal brasileiro | Foto: Mercúrio Produções / Divulgação / CP

A MULHER DA LUZ PRÓPRIA
2019 | dir. Sinai Sganzerla

“A Mulher da Luz Própria” escolhe um caminho não-convencional e ensaístico para contar a história de Helena Ignez, ícone do cinema marginal brasileiro. Tomando como ponto de partida a trajetória da atriz, o filme também passeia pela história do cinema brasileiro e seu contexto político em um trânsito entre imagens de arquivo e filmagens contemporâneas. O documentário é dirigido por Sinai Sganzerla, filha de Helena Ignez com seu parceiro de vida e trabalho, Rogério Sganzerla.

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