O grande vencedor da categoria Longas-metragens Brasileiros do 53º Festival de Cinema de Gramado foi para o filme "Cinco Tipos de Medo", que levou quatro estatuetas para casa: Melhor Filme, Roteiro e Montagem para Bruno Bini e Melhor ator coadjuvante para Xamã (ator e rapper). A cerimônia ocorreu no sábado à noite.
Ao receber o primeiro kikito no palco do Palácio dos Festivais, Bini declarou: "Este é o primeiro Kikito do Mato Grosso". Depois, à medida que o filme foi recebendo mais troféus, foi acrescentando o segundo, o terceiro e o quarto, que foi de atuação. Este filme é coproduzido pela gaúcha Luciana Druzina e aborda o tema da violência urbana. O longa-metragem acompanha cinco personagens que aparentemente têm as vidas desconectadas, mas a trama vai revelando que eles têm ligações. Xamã interpreta um traficante de drogas.
O filme "Papagaios", de Douglas Soares (RJ), foi o segundo mais premiado da noite. A história de pessoas que buscam a fama aparecendo na TV ao lado de celebridades ou jornalistas ao se posicionar ao lado delas em entradas ao vivo tem cenas de humor, mas o roteiro é marcado pelo suspense. Gero Camilo recebeu o Troféu de Melhor Ator. Ao subir ao palco, ele sugeriu que os festivais não usem mais o termo "Melhor", mas "Destaque". "Não sou melhor do que ninguém", disse o artista ao receber o troféu no palco. Ele deu seu recado, agora cabe a cada festival acatar ou não sua dica. Este longa ambientado no bairro Curicica do Rio de Janeiro levou ainda os prêmios de Melhor Direção de Arte, Melhor Desenho de Som e Melhor Filme pelo Júri Popular.
A atriz Malu Galli ganhou como Melhor Atriz por "Querido Mundo" (RJ), filme de Miguel Falabella que dividiu opiniões por ser considerado um "teatro filmado". A atuação de Malu está entre os melhores trabalhos do filme. Ela não pôde estar presente na cerimônia, mas participou através de um vídeo exibido no telão do cinema.
Como atriz coadjuvante, Aline Marta Maria ganhou o Kikito por sua atuação como uma bisavó. Cadeirante, ela subiu ao palco pelo elevador de acessibilidade existente no Palácio dos Festivais e se emocionou muito. "Este papel é um presente. Essa bisavó era minha", disse se referindo à oportunidade que a diretora Rafaela Camelo lhe deu no longa "A Natureza das Coisas Invisíveis" (DF), que levou também o Prêmio Especial do Júri e Melhor Trilha Musical.
Na categoria Longa Documentário, o vencedor foi "Lendo o Mundo", de Catherine Murphy e Iris de Oliveira (RN), que resgata a experiência realizada por Paulo Freire e sua equipe para alfabetização em um município nos anos 1960.
PRIMEIRA VEZ
Esta edição do festival foi marcada por ser o momento do primeiro Kikito de muitos realizadores. Além de Bruno Bini, que festejou o primeiro Kikito para o Mato Grosso, Laís Melo estreou como diretora de longa-metragem com "Nó" (PR) e com ele ganhou o Kikito de Melhor Direção, além do filme receber os troféus de Melhor Fotografia e Prêmio do Júri da Crítica.
Na sexta-feira, as categorias de Longas Gaúchos foram premiadas. "Uma em Mil" ganhou o troféu de Melhor Direção na categoria Longa Gaúcho. A direção é realizada pelos irmãos Jonatas e Tiago Rubert, de Guaíba, e acompanha a família de ambos e questiona a convivência com pessoas com Síndrome de Down e seus talentos criativos. Este é o primeiro filme brasileiro dirigido por uma pessoa com síndrome do Down a ganhar um Kikito.
O Kikito de Melhor Longa-metragem Gaúcho foi para “Quando a Gente Menina Cresce”, de Neli Mombelli, filme que também conquistou uma Menção Honrosa para o elenco feminino. Aborda a adolescência de garotas que passam por experiências como a primeira menstruação. A produção foi rodada em uma escola pública de Santa Maria.
O festival se tornou ponto de debate de temas importantes para a atualidade, como maternidade, vida, morte, luto e luta pela sobrevivência. Ao final da cerimônia a organização anunciou a data da 54ª edição, em 2026: será de 12 a 22 de agosto.