Arte & Agenda

Cine PE 2025 abre cortinas

Com provocação, poesia e a promessa de uma festa audiovisual, a semana terá a abertura do Festival de Cinema de Recife

Fora da competição será exibido o aguardado "Os Enforcados", de Fernando Coimbra, estrelado por Leandra Leal e Irandhir Santos
Fora da competição será exibido o aguardado "Os Enforcados", de Fernando Coimbra, estrelado por Leandra Leal e Irandhir Santos Foto : Helena Barreto / Paris Filmes / Divulgação / CP

Por onde passa, a Calunga dança. E no Recife, ela já abriu os braços para receber a 29ª edição do Cine PE – Festival do Audiovisual, que começa nesta segunda-feira, 9 de junho, e segue até o dia 15. Com o tema “Cine PE – Festa da Cultura”, o evento abandona qualquer postura tímida e se posiciona como é, uma celebração da identidade, da memória e da resistência audiovisual brasileira.

Seguindo a tendência do aumento da produção audiovisual nacional, a edição 2025 já começou com números que impressionam. Segundo os organizadores, foram 1.004 filmes inscritos – recorde histórico que supera os 982 do ano passado – em uma prova clara de que o cinema nacional continua pulsando, produzindo, desafiando narrativas e resistindo mesmo em meio a cortes, retrocessos e incertezas.

Desse universo, 38 produções foram selecionadas para exibição, e todas as sessões serão gratuitas – um convite direto à democratização do acesso à cultura. A espinha dorsal do festival continua sendo sua Mostra Competitiva de Longas-Metragens, com cinco títulos que tratam de refletir um Brasil multifacetado, íntimo, contraditório e inventivo. De São Paulo vem “A Melhor Mãe do Mundo”, de Anna Muylaert, em mais uma narrativa que promete provocar discussões sobre maternidade e afeto. O documentário “O Ano em Que o Frevo Não Foi pra Rua”, de Mariana Soares e Bruno Mazzoco, também paulista, faz reverberar em imagens a angústia cultural dos tempos pandêmicos.

Mas é Pernambuco que brilha com força local com “Senhoritas”, de Mykaela Plotkin, prometendo deixar sua marca nas telas do Teatro do Parque, onde ocorrem todas as sessões competitivas. O cinema pernambucano, aliás, se mostra um dos protagonistas silenciosos do festival: além de sete curtas regionais na mostra competitiva, o estado também marca presença com o emocionante “Eu Preciso Dizer Que Te Amo”, de Marlom Meirelles, um dos Hors Concours da edição, realizado em parceria com estudantes da rede pública de Jaboatão dos Guararapes.

E falando em destaque fora da competição, o aguardado “Os Enforcados”, de Fernando Coimbra, estrelado por Leandra Leal e Irandhir Santos, é o grande evento cinematográfico da programação paralela. A produção da Gullane Filmes é vista por muitos como um dos filmes mais fortes do circuito nacional deste ano.

Mas o Cine PE 2025 não se limita à consagração: ele quer formação, provocação e pluralidade. O lendário Cinema São Luiz será palco de três mostras especiais em matinês voltadas à formação de público. No dia 14, a Mostra Grandes Festivais exibe obras consagradas do circuito; no dia 15, entram em cena a Mostra Lei Paulo Gustavo e a Mostra Panorama Paraíba, abrindo espaço para produções recentes financiadas por políticas públicas e para o talento do estado vizinho.

A Mostra Infantil, já realizada nos dias 20, 21, 26 e 28 de maio, plantou sementes entre estudantes da rede pública com sessões de “Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa” e “Jorge Quer Ser Repórter”, em ação formativa que reforça o papel social do festival: o cinema também é ferramenta de encantamento, identidade e educação. E a homenagem deste ano vai para o ator e diretor Júlio Andrade, intérprete de intensidade bruta, conhecido por papéis memoráveis em “Sob Pressão”, “Gonzaga – De Pai pra Filho” e o recente remake de “Vale Tudo”. Uma Calunga de Ouro para uma carreira que tem desafiado os limites entre palco e tela.

Falando nela: o Troféu Calunga, criado por Juliana Notari, segue como símbolo máximo do festival, reverberando a força ancestral do maracatu. Mais do que uma estatueta, a Calunga é um gesto de respeito às raízes afro-brasileiras — e um lembrete de que não há futuro sem memória. No fim, o Cine PE é um outro convite para o público a ocupar as salas, a olhar nos olhos das narrativas, a ver o Brasil sem filtros.

Guia de Programação: a grade dos canais da TV aberta desta quarta-feira, dia 11 de fevereiro de 2026

As informações são repassadas pelas emissoras de televisão e podem sofrer alteração sem aviso prévio