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Cineasta exilado critica o Irã em Porto Alegre

Ameaçado pelo regime e morando em local secreto, Mohsen Makhmalbaf diz que seu país é governado como na Idade Média

Cineasta exilado critica o Irã em Porto Alegre
Cineasta exilado critica o Irã em Porto Alegre Foto : Paulo Nunes
O cineasta iraniano Mohsen Makhmalbaf está em Porto Alegre para uma palestra no Salão de Atos da UFRGS nesta segunda-feira. Antes, ele concedeu uma entrevista coletiva de imprensa. Diretor de filmes como "A Caminho de Kandahar", escritor, professor e ativista de Direitos Humanos, ele atualmente não pode dizer onde mora, pois corre risco de vida por se opor ao regime do atual governo do Irã.

"Hoje há mais de 50 cineastas, documentaristas e produtores presos no Irã e impedidos de enviar seu material para fora do país", denuncia. Ele adverte que o regime de Mahmoud Ahmadinejad faz de tudo para que cineastas não possam trabalhar nem mesmo no exterior. Makhmalbaf saiu do Irã há 7 anos, quando Ahmadinejad subiu ao poder. Passou 2 anos no Afeganistão, onde deu aulas e trabalhou pelos Direitos Humanos. Lá, sofreu um atentado enquanto fazia um filme. Uma granada foi atirada no seu set para matá-lo. Uma pessoa morreu e outras 20 ficaram feridas.

A partir daí, Makhmalbaf viu que não poderia continuar morando no Afegasnistão, para sua segurança e das pessoas com quem convivia. Depois o diretor passou pelo Tajiquistão e pela França. Mesmo na Europa ele precisa sempre estar mudando de lugar, para não ser encontrado, pois foi informado de que poderia ser alvo de um ataque a qualquer momento.

O cineasta não economiza nas críticas ao regime de seu país de origem: "Nosso país está sendo governado conforme a Idade Média". Ele denuncia que nos últimos dois anos mais de 15 mil pessoas foram presas no Irã. Basta discordar do regime para ser preso. Além disso, há relatos de estupros tanto de homens quanto de mulheres nas prisões.

Por isso, Makhmalbaf diz que há pessoas sendo martirizadas por lutarem pela liberdade e pela democracia. O cineasta diz que o povo iraniano deseja democracia e ele não pode apoiar um líder que tortura seu povo, o que, segundo ele, faz Ahmadinejad. Por isso, Makhmalbaf demonstrou profundo descontentamento com o ex-presidente Lula, por ter dado a mão a Ahmadinejad, porque "é uma mão contaminada de sangue e pode fazer mal a Lula". O cineasta contou ainda que um líder sindical iraniano, que tinha função parecida com a de Lula no início de sua luta política, teve a língua cortada com uma faca para que não falasse mais.

Entre as alternativas de lutas de Makhmalbaf para a democratização de seu país, ele pensa em criar um movimento semelhante ao "Médico Sem Fronteiras", o "Cineastas Sem Fronteiras". "Já trabalhei em seis países. Acho que não importam as fronteiras, e sim o fato de que é preciso agir e poder trabalhar em favor da liberdade de expressão", reflete. Este movimento está sendo arquitetado com apoio de cinestas brasileiros. Entre eles, foram citados Jorge Furtado e Karim Aïnouz.

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