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Cineasta palestino diz que foi agredido por colonos israelenses por ter vencido Oscar

Hamdan Ballal integra o coletivo que produziu o documentário ‘Sem Chão’

Cineasta palestino Hamdan Ballal recebeu o Oscar pelo documentário 'Sem Chão'
Cineasta palestino Hamdan Ballal recebeu o Oscar pelo documentário 'Sem Chão' Foto : HAZEM BADER / AFP / CP

O cineasta palestino Hamdan Ballal, codiretor do documentário vencedor do Oscar 'Sem Chão', afirmou nesta quarta-feira (26) que sofreu uma 'agressão brutal' por parte de colonos israelenses pelo prêmio que recebeu.

A polícia israelense liberou Ballal na terça-feira depois de detê-lo por 'atirar pedras' durante um 'violento confronto' entre israelenses e palestinos em Susiya, no sul da Cisjordânia.Ballal é um dos realizadores do documentário 'Sem Chão' ('No Other Land'), premiado com um Oscar no início de março e que trata da colonização israelense na Cisjordânia vista por aqueles que a sofrem.

'Pensei que estava vivendo meus últimos momentos devido à violência dos golpes (...) Acredito que foi porque ganhei o Oscar', declarou à AFP em Susiya, perto de Masafer Yatta, ao sul da cidade de Hebron, onde foi gravado o filme.

O cineasta israelense Yuval Abraham, codiretor do documentário, criticou a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas por seu silêncio sobre o incidente. 'Infelizmente, a Academia que nos deu um Oscar há três semanas se recusou a apoiar publicamente Hamdan Ballal enquanto ele era espancado e torturado por soldados e colonos israelenses', denunciou na rede social X.

'Hamdan foi claramente' agredido 'por ter realizado 'No Other Land'' e também 'por ser palestino', acrescentou. Ativistas do grupo antiocupação Centro para a Não Violência Judaica declararam ter sido testemunhas na segunda-feira da violência em Susiya. Segundo ONGs de defesa dos direitos humanos, os ataques de colonos israelenses na Cisjordânia aumentaram consideravelmente desde o início da guerra entre Israel e o movimento islamista Hamas na Faixa de Gaza, em outubro de 2023.

A Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967, abriga cerca de três milhões de palestinos, assim como quase 500 mil israelenses que vivem em assentamentos considerados ilegais pelo direito internacional.

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