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Cinema ibero-americano vai à tela do Piriápolis de Película

O Brasil também está presente no Festival que tem entre atrações especiais a exibição de “Cinco Tipos de Medo”, de Bruno Bini, produzido por Viola Davis

Uma das atrações especiais será a exibição de “Cinco Tipos de Medo”, de Bruno Bini
Uma das atrações especiais será a exibição de “Cinco Tipos de Medo”, de Bruno Bini Foto : Downtown Filmes / Divulgação / CP

Já tradicional no universo audiovisual do Cone Sul, o Festival Internacional "Piriápolis de Película" chega neste final de semana à sua 23ª edição. Em sua trajetória, reafirma a vocação rara de reunir cinema, memória, reflexão e encontro sem transformar a cultura audiovisual em território de exclusão. Na bela e acolhedora Piriápolis, no Uruguai, o cinema acaba sendo o que se projeta na tela e o que se conversa, se compartilha, se recupera e se reinventa.

Com entrada livre e gratuita, o festival, realizado no lendário e imponente Argentino Hotel, consolidou, ao longo de mais de duas décadas, um espaço de referência para o cinema uruguaio, latino-americano e internacional. E essa permanência importa mais em um continente no qual a produção audiovisual cresce em diversidade, mas ainda enfrenta o desafio de fazer seus filmes circularem entre os próprios países.

Quantas vezes um filme brasileiro chega ao Uruguai? Quantos uruguaios atravessam a fronteira para encontrar espectadores brasileiros? Quantas obras argentinas, mexicanas, colombianas ou peruanas permanecem restritas aos festivais de seus territórios? Piriápolis ajuda a responder a essas perguntas, criando justamente o que o cinema latino-americano mais precisa, que é uma importante circulação.

A programação desta edição traduz essa vocação. Diretores, atores, produtores, críticos e espectadores de diferentes gerações encontram-se em torno de filmes, mesas-redondas, homenagens e conversas. Entre os convidados estão Carlos Sorín, de “Historias Mínimas”, que se aproxima dos 25 anos; Fernando Spiner, de “Weser”; Gustavo Mosquera, responsável por “Moebius”, que completa três décadas; e Alexander Katzowicz, de “La Reina, el Buda y Buñuel”, vindo do México. São trajetórias diferentes, mas reunidas pela ideia de que o cinema independente latino-americano precisa ser visto e discutido.

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Destaque brasileiro e parcerias internacionais

O Brasil também está presente em Piriápolis com força. E uma das atrações especiais será a exibição de “Cinco Tipos de Medo”, de Bruno Bini, filme que carrega uma trajetória que começa em território brasileiro e alcança o circuito internacional. A obra teve sua estreia, no Brasil, no Festival de Cinema de Gramado, em que conquistou quatro Kikitos — Filme, Roteiro, Montagem e Ator Coadjuvante, este para Xamã. Depois de Gramado, o filme ampliou seu percurso e ganhou circulação internacional, levando consigo uma produção brasileira capaz de dialogar com diferentes públicos. E graças a este percurso, “Cinco Tipos de Medo” ganhou entre seus produtores Viola Davis e seu marido Julius Tennon. A presença internacional, que dá selo de prestígio, também evidencia como o cinema brasileiro pode construir pontes com estruturas e talentos de outras cinematografias sem perder sua identidade. E é justamente esse movimento de ida e volta que festivais como Piriápolis de Película ajudam a fortalecer.

Programação uruguaia e ibero-americana

O cinema uruguaio ocupa espaço central na programação, com títulos como “Mamá Está Acá”, “Cuerpos en Tránsito”, Frágil Como Cristal”, “Los Niños Perdidos”, “99 Fantasmas” e “Pocositio”. Há ainda homenagem ao talentoso Walter Tournier, reconhecendo sua contribuição à animação. Em outro eixo, “El Último Viaje a China”, coprodução argentino-uruguaia, é ponto de partida para uma conversa sobre China Zorrilla, com a presença do diretor Alejandro Maci, integrantes da equipe e Carlos Perciavalle. A homenagem marca a atriz, que pertence à memória cultural do Rio da Prata.

A Competição Iberoamericana de Curta-metragens completa esse mosaico com o qual se constrói Piriápolis de Película, ao lado de uma seleção de curtas, médias e longas-metragens de países como Argentina, Brasil, Colômbia, Peru, Espanha, França, México, Finlândia, Portugal, Japão, Polônia e Irã. A geografia é ampla, mas a proposta é a de sempre colocar diferentes olhares em contato.

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