Arte & Agenda

Cinema no Tiff invade Toronto

Com nova edição totalmente presencial, o cultuado Festival Internacional de Cinema de Toronto faz do Canadá o foco da telona

Entre as dez estreias mundiais anunciadas para esta 47ª edição do Festival Internacional de Cinema de Toronto, a produção do cinema brasileiro se destaca com ‘Carvão’, primeiro longa-metragem de Carolina Markowicz
Entre as dez estreias mundiais anunciadas para esta 47ª edição do Festival Internacional de Cinema de Toronto, a produção do cinema brasileiro se destaca com ‘Carvão’, primeiro longa-metragem de Carolina Markowicz Foto : Pandora filmes / Divulgação / CP

Depois de estar focada no Festival de Cinema de Veneza, a sétima arte se transporta para o Festival Internacional de Cinema de Toronto (Tiff). A partir desta quinta-feira, dia 8 de setembro, a 47ª edição do evento mobiliza a charmosa e cosmopolita capital cultural do Canadá. O Brasil é um dos países que tem estado presente com produções que começam suas carreiras por lá para depois ganhar as telas do mundo. Reconhecido como importante antessala do Oscar, o Festival de Toronto reúne as principais produções do ano que estão de olho nas estatuetas de Hollywood. 

Entre as dez estreias mundiais anunciadas para este ano no Tiff, o Brasil se destaca este ano com “Carvão”, primeiro longa-metragem de Carolina Markowicz. A exibição marca a volta da cineasta ao Festival de Toronto, no qual já exibiu três curtas: “O Órfão”, “Namoro à Distância” e “Edifício Tatuapé Mahal”. Ela também participou do TIFF Filmmaker Lab, em 2015.

No filme, a atriz Maeve Jinkings interpreta Irene, que, com seu marido, Jairo, papel encarnado por Rômulo Braga, tem uma pequena carvoaria no quintal de casa. Eles têm um filho pequeno, Jean, vivido por Jean Costa, e o pai dela não sai mais da cama, não fala e não ouve. A família recebe uma boa proposta, mas também perigosa: hospedar um desconhecido em sua casa, numa pequena cidade no interior. Antes mesmo da chegada dele, no entanto, arranjos precisarão ser feitos e a vida em família começa a se transformar; nem sempre para melhor.

O longa foi rodado em Joanópolis, interior de São Paulo, uma cidade próxima à qual a diretora cresceu. Ela confessa conhecer bem esse ambiente rural e retrógrado: “Lá, vivenciei tudo o que uma pequena cidade conservadora pode oferecer: pessoas cuidando da vida umas das outras, famílias unidas pelo fato de que a família deve ficar unida, casamentos onde os casais quase se odiavam, mas a vergonha é ser solteiro”. E claro, no extremo, “você pode ser até um assassino”, não outras coisas.

A diretora Carolina Markowicz passou, então, a prestar atenção nesse mundo ao seu redor, notando coisas que acabou trazendo para o filme: “Esse ambiente bucólico, mas ao mesmo tempo agitado, fez de mim uma observadora da natureza humana no seu melhor e no seu pior. E também uma admiradora de um senso de humor áspero, áspero e ácido, capaz de retratar todos os maiores desastres humanos e idiossincrasias de uma maneira bastante estranha”. O elenco conta também com César Bordón, Camila Márdila, Aline Marta e Pedro Wagner.

A mostra competitiva Platform, em que o Brasil estará representado, apresenta cineastas cujas vozes estão surgindo no cenário cinematográfico. Com diretores estreantes e veteranos, a programação deste ano oferece uma gama diversificada de talentos e vozes de direção distintas que estão surgindo em todo o mundo.

Entre os muitos destaques internacionais, vale ressaltar a produção “Dalíland”, que conta a história dos últimos anos de Dali e de seu casamento com sua esposa e musa dominadora, Gala, quando seu vínculo aparentemente inabalável começa a se estressar e se romper. Situado em Nova Iorque e na Espanha em 1973, o longa é estrelado por Kingsley, ao lado de Barbara Sukowa, Christopher Briney, Rupert Graves e Suki Waterhouse

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