A 20ª edição do CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto – chegou ao fim com uma programação marcada por emoção, memória e celebrando a trajetória do cinema brasileiro.
O encerramento aconteceu na noite desta segunda-feira com um cine-concerto especial na Praça Tiradentes: a exibição do clássico "O Garoto" (1921), de Charles Chaplin, com trilha sonora realizada ao vivo pelas musicistas mineiras Natalia Barros, Isabela Alencastro e Jennifer Cunha.
A sessão ao ar livre reuniu um grande público e prestou uma homenagem à força do cinema mudo e à expressividade da música ao vivo, elementos que marcaram simbolicamente o encerramento de duas décadas de história da Mostra CineOP.
Nesta edição especial de 20 anos, o CineOP apresentou pela primeira vez a Mostra Competitiva Arquivos em Questão, reafirmando seu compromisso com a preservação audiovisual e o debate sobre os acervos como patrimônio cultural.
O documentário "Paraíso", dirigido por Ana Rieper, foi escolhido pelo júri oficial como Melhor Longa da Mostra. O filme se destaca por sua abordagem sensível e contundente do uso de imagens de arquivo, propondo uma reflexão sobre memória, identidade e Brasil contemporâneo.
A inclusão da mostra competitiva aos arquivos foi um marco importante para o festival, que desde sua origem se diferencia por abordar o cinema não apenas como linguagem artística, mas também como documento histórico e ferramenta de educação.
Além das exibições, a programação do CineOP 2025 conta com encontros e fóruns paralelos dedicados às áreas de Educação e Preservação. Nesses espaços, profissionais de todo o país e do Exterior participaram de debates, escritórios e reuniões de articulações, que resultaram na elaboração de documentos oficiais.
Os textos reuniram análises críticas e propostas concretas para o fortalecimento das políticas públicas externas à preservação do audiovisual e à inserção do cinema na educação brasileira, defendendo sua inclusão nos currículos escolares como instrumento de pensamento e leitura do mundo.
Com atividades distribuídas por cinco dias, entre mostras temáticas, debates, sessões comentadas e ações formativas, a 20ª CineOP reafirmou seu papel como plataforma de articulações entre diferentes setores do audiovisual, com foco na preservação da memória cinematográfica e na formação de novas gerações.
Ao se despedir de Ouro Preto, a Mostra deixa um legado consistente e provoca reflexões importantes sobre o presente e o futuro do cinema brasileiro.