Arte & Agenda

Clima é de euforia na Argentina após Oscar de filme estrangeiro

Primeira estatueta que país recebeu foi por "A história oficial", de Luis Puenzo, em 1986

Um clima de euforia tomou Buenos Aires nesta segunda-feira após a vitória de "O segredo dos seus olhos" como Melhor Filme Estrangeiro no Oscar, um prêmio que a Argentina leva pela segunda vez. "Isto entra definitivamente para a história. As pessoas se sentem vencedoras, por isso há tanta alegria na Argentina", disse nesta segunda-feira a uma rede de televisão em Buenos Aires, Guillermo Francella, um dos protagonistas, ao se referir à popularidade do filme, visto por 2,5 milhões de pessoas.

A transmissão da entrega do Oscar conquistou a maior audiência do domingo na Argentina, apesar de já passar da meia-noite quando foi anunciado o prêmio e em um dia em que o futebol monopoliza a audiência, segundo um site especializado.

"Estamos felizes porque ganhamos com 'O segredo dos seus olhos', um filme fantástico que vi duas vezes e que me impactou", dise a presidente Cristina Kirchner em uma cerimônia ao lado do ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, que realiza uma visita oficial ao país.

A presidente do Instituto Nacional do Cinema, Liliana Mazuri, considerou que o prêmio "abre as portas para que investidores e co-produtores olhem para o cinema argentino". "O talento de Campanella e o imenso êxito de público na Argentina nos indicavam que (o filme) poderia ganhar o Oscar", acrescentou a presidente.

Os canais de televisão repetem constantemente o momento em que o diretor Juan José Campanella levantou a estatueta entregue por seus colegas Quentin Tarantino e Pedro Almodóvar.

Os jornais publicaram uma segunda edição com a notícia do prêmio dado ao filme, um suspense policial ambientado na década de 70, e protagonizado por Soledad Villamil e Ricardo Darín.

"Foi realmente milagroso, porque os filmes com os quais competiu eram excelentes", disse Darín em uma coletiva de imprensa realizada na madrugada após o Oscar em um hotel do centro de Buenos Aires.

É a segunda vez que uma produção argentina ganha a estatueta. O primeiro vencedor foi "A história oficial", de Luis Puenzo, em 1986.

Campanella, indicado em 2002 por "O filho da noiva", também com Darín como protagonista, agradeceu à Academia e à toda a equipe de "produção que fez com que o filme se tornasse possível".

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