Arte & Agenda

Coleção de arte abstrata abre nesta sexta na Fundação Iberê Camargo

Dez grandes artistas da América Latina estarão reunidos na exposição

Obras do venezuelano Gego integram a mostra coletiva na Fundação Iberê Camargo
Obras do venezuelano Gego integram a mostra coletiva na Fundação Iberê Camargo Foto : Mark Moroose / Divulgação / CP
Dez grandes nomes da arte abstrata na América Latina estarão reunidos na exposição "Desenhar no Espaço", com abertura nesta sexta, na Fundação Iberê Camargo (Padre Cacique, 2000), em Porto Alegre. Pela primeira vez serão exibidas no país 79 obras que integram o acervo de uma das mais importantes coleções de arte contemporânea da América do Sul, a Coleção Patricia Phelps de Cisneros. A curadoria do venezuelano Ariel Jiménez propõe um diálogo entre o percurso abstracionista no Brasil e na Venezuela da década de 40 até meados dos anos 70.

Os artistas venezuelanos são Gego, Alejandro Otero, Jesus Soto, Carlos Cruz-Diez; e os brasileiros Hércules Barsotti, Willys de Castro, Lygia Clark, Mira Schendel, Hélio Oiticica e Judith Lauand. A mostra traça um panorama da formação dos movimentos de vanguarda e de uma era pós-moderna na arte sul-americana, através das obras destes grandes nomes.

Nas décadas de 40 e 70, a produção abstrata teve seu ápice, tanto no Brasil quanto na Venezuela, e significou uma ruptura com a antiga arte figurativa que dominava a produção artística nos dois países, instaurando o início de novas formas de expressão, novos limites para a relação espectador e obra, transformando-se em ponto de partida para o início da era pós-moderna na arte latina. "Era um período de mudanças na organização social, de crescente urbanização e industrialização e início da produção de massa. Justamente neste período, esse fenômeno urbano faz com que os artistas, ou pelo menos os sensíveis àquela realidade, mudassem suas estratégias plásticas, trabalhando fora do plano pictórico", diz Ariel Jiménez.

O público encontrará justamente as relações que podem ser estabelecidas nas obras de alguns dos mais importantes representantes deste grupo de artistas, assinalando pontos de encontro e divergências nas produções brasileira e venezuelana. A busca por extrapolar os limites de planos e corpo material da pintura, imposta pelo uso de telas e molduras como suporte da obra, é algo comum aos dois países. "Mas no Brasil", avisa Jiménez, "os brasileiros o fizeram, em geral, priorizando sua presença corporal, mexendo em volumes, na espacialidade das obras e no contato mais direto com o espectador. Na Venezuela, os artistas concentraram esforços no jogo entre luzes e cores para garantir a experiência visual". Depois a mostra segue para a Pinacoteca de São Paulo. Visitação até 31 de outubro, de terças a domingos, das 12h às 19h (somente nas quintas, das 12h às 21h).

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