O coletivo Inclassificáveis, de Florianópolis, se une à Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz em um projeto que está sendo realizado de 26 de abril a 3 de maio. Na programação, estão presentes apresentações de peças do repertório do grupo catarinense, oficinas e rodas de conversa no espaço cultural Terreira da Tribo (Pátria, 98 - São Geraldo). Nos dias 29 e 30, será realizada a oficina “Dramaturgia do Intangível”, das 14h às 18h. Ela promove a experiência, através de exercícios criativos, da relação da atuação cênica com a luz e as novas tecnologias (sobretudo a projeção) e suas possibilidades expressivas na dramaturgia da cena. Ministrada pela multiartista Hedra Rockenbach, a oficina é aberta à comunidade em geral, com 25 vagas.
Ainda nesta terça-feira, às 20h, acontece a segunda sessão da peça “5 Minutos”, do coletivo Inclassificáveis. Com dez anos de trajetória e mais de cem apresentações em cinco países da América Latina e Europa, a montagem trata de um homem preso há 60 anos durante a ditadura do Brasil/Chile, atravessa suas memórias e vai revelando um Manuel que poderia ser Manoel Fiel Filho, militante de base do PCB morto pela ditadura brasileira. Ou outro Manuel, chileno, personagem ficcional da canção de Victor Jara, “Te recuerdo Amanda”, sobre o amor de Amanda e Manuel. O preso registra os dias e tenta se lembrar do que passou. O espetáculo será seguido da roda de conversa temática “60 anos da ditadura no Brasil: memória e luta”, com o convidado Jair Krischke.
O projeto de circulação das peças do coletivo Inclassificáveis nasceu de um impulso em compartilhar não somente as obras em repertório, mas proporcionar espaços de intercâmbio e debate acerca dos processos artísticos. A influência do trabalho da Tribo de Atuadores Ói Nóis aqui Traveiz forjou uma parceria que, depois de longo tempo de espera, em função da enchente de 2024, reúne os dois grupos em Porto Alegre. Todos os eventos do projeto têm entrada gratuita.