O Coletivo Moebius apresenta neste domingo, às 20h em seu canal do Youtube, sessão extra de "Pode Ser um Spam", a oitava montagem do grupo criado em 2014. Em cena, cinco performers, câmeras, projeções, iluminação e trilha sonora interagem e constroem com o público uma experiência estética e política. A concepção e direção é assinada pelo grupo, no trabalho com assistência coreográfica de Douglas Jung e no elenco, Luíza Fischer, Patrícia Nardelli, Priya Mariana Konrad, Renata Stein, Sahaj
Adaptada ao contexto pandêmico, em que o isolamento social se faz necessário, a peça foi construída em encontros virtuais, percebendo a relação corpo-espaço-tela. O espetáculo estreou em 11 de junho e fez três sessões transmitidas on-line no Youtube.
O projeto iniciou em 2016, quando foi contemplado em edital do Fumproarte da cidade de Porto Alegre. Desde então, a sociedade brasileira vivenciou golpe, ocupações de universidades públicas, lama tóxica varrendo cidades e poluindo rios, incêndios florestais, assassinatos e prisões políticas, crimes de racismo, pandemias, fake news e uma eleição ganha via WhatsApp. "Pode ser um SPAM" assume seu papel como espelho e como crítica aos usos das tecnologias no corpo, na sociedade e na política.
"Pode ser um SPAM" se baseia no fenômeno da simultaneidade de informações, na realidade aumentada e no imaginário das distopias. Reflete acerca da aceleração do uso dos smartphones e tecnologias que pautam a relação entre o fluxo de informações disponíveis nas redes virtuais e as interações físicas do sujeito no mundo.
Sinopse:
Então você acorda depois de milhares de anos esperando embaixo do gelo e retorna a um mundo que não mais conhece. Um vírus, um spam, uma mensagem: a fronteira borrada entre a comunicação e a propaganda, entre o desejo e a crueza da realidade. É preciso escolher de quais verdades se alimentar quando o chão que pisamos não é suficiente para gerar uma experiência de mundo comum. Na vitrine da contemporaneidade cada corpo, cada subjetividade é conteúdo a ser compartilhado numa batalha algorítmica pela visibilidade.
Sobre o Coletivo Moebius:
Apropriando-se do conceito contido na fita de Moebius, o Coletivo Moebius busca quebrar estas dicotomias operando, assim como a fita, uma subversão no espaço comum de representação. O Coletivo surge em 2014, composto por bailarinos de diferentes técnicas, atores e artistas, propondo fazer da diversidade a sua potência. Dando continuidade ao trabalho iniciado no Grupo Experimental de Dança de Porto Alegre (GED) em 2013, seguiu pesquisando corpo e movimento e explorando a linguagem da dança contemporânea para construir o seu próprio vocabulário e as suas experiências em arte.
Suas pesquisas já se desdobraram em obras como: “Procedimento 21+1” (2014), “Ìgbá: Exercício de contemplação” (2015-2016), “Medida Provisória” (2016-2017) e “(De)Colagem” (2018), “Poéticas sobre Morte/Tempo/Vida” (2018), “Ranhuras” (2018), “Três Canções” (2019), além de performances e oficinas. Em 2020 recebeu o Prêmio Açorianos em Dança na categoria destaque em dança contemporânea.
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