“Quando acordaram, o muro já estava lá.
Muro alto, muito alto, todo cinza, bem cinza, cercava o prédio.
E agora? Que fazer diante do poderoso obstáculo?
A vida presa, suspensa; o lá fora seguindo sem Alberto, Maria, Nuno, Belchior e Isadora.”
“E Fiquem Bem” (Physalis Editora) é o romance infantojuvenil do Coletivo Seis+1 com lançamento neste sábado, a partir das 16h, na Associação Chico Lisboa (Travessa dos Venezianos, 19). A autoria é de Alexandre Brito, Antonio Schimeneck, Caio Riter, Christian David, Gláucia de Souza e Laura Castilhos , que também assina as ilustrações. A coordenação editorial está a cargo de Elaine Maritza, e projeto gráfico, de Marta Castilhos.
A história, escrita a doze mãos, entre abril e outubro de 2020, durante a pandemia, retrata uma situação inusitada: as personagens acordam e seu prédio está cercado por um muro muito alto. Reunindo um tanto de mistério às questões de cada morador preso pelo muro, a história reflete sobre a necessidade de cada personagem aprender a lidar com o muro para enfrentar a aspereza das pedras e encontrar uma saída. Ou várias.
Seis + 1
Lançada ainda no final de 2019, a ideia de reunir escritores e ilustradores foi sendo maturada e adiada, até que o isolamento físico trouxe mais forte o desejo do encontro, ainda que pela tela. Nas terças à noite, o grupo se encontrava para trocar impressões, falar sobre seus processos e projetos, Os Seis. "E veio o desejo de ouvir outras vozes. Assim, passamos a convidar uma vez por mês, alguém do mundo do livro para conversar com a gente. E foram várias conversas bacanas. Nós Seis; e Mais Um", explica Caio. Num dos encontros, Gláucia lançou: por que a gente não cria algo juntos? "Aquela pergunta ficou ressoando, ressoando, até que encontrou um jeito de se fazer realidade. Pensamos em escrever motivados pela pandemia, uma história em que os personagens estivessem impedidos de exercer plenamente sua liberdade de ir e vir. Foram muitas discussões até que se chegou à conclusão de que não queríamos um livro sobre a pandemia, queríamos uma história que pudesse dialogar com o momento que vivíamos", revela.