O escritor e professor de escrita literária Luiz Antônio de Assis Brasil, o mestre de todos que escrevem, que iniciam na escrita ou que se aventuram a teorizar sobre a construção de um livro de ficção, foi homenageado na noite desta quinta-feira, no Auditório Luís Cosme, da Casa de Cultural Mario Quintana, durante o lançamento da antologia “Outono, 19H” (Editora Bestiário). A antologia reúne contos de quinze escritores de oito Estados do país, um deles residente em Portugal, que participaram da 40ª turma da Oficina de Criação Literária da PUCRS em 2024, ministrada por Assis Brasil. O evento foi iniciado com um bate-papo entre o escritor e professor, autor de obras como “Concerto Campestre”, “Videiras de Cristal” e “Leopold”, com a escritora e ex-aluna da Oficina, Irka Barrios, e com a organizadora da antologia (junto com Marília Santos Krüger), Carolina Panta, que foi a mediadora da conversa.
Carolina abriu a conversa falando sobre o sonho que era participar da Oficina de Criação Literária e ainda mais nesta 40ª edição, que foi a última na PUCRS, após 40 anos e destacou que escrever é um ato de amor, mas sobretudo um ato político, principalmente no atual tenso e polarizado momento em que vivemos. Ela iniciou a mediação, perguntando ao professor Assis sobre como foi o início de tudo, lá nos idos anos de 1985. Assis Brasil lembrou que apresentou o projeto ao reitor da época e que ele perguntou se era algo novo e autorizou a começar a oficina, que teve um período de experiência de seis meses, e teve um afluxo gigante de interessados. “No início era por ordem de chegada, depois precisávamos selecionar de alguma forma e fizemos um processo de seleção já a partir do terceiro ano. Os escritores tinham dúvidas, no início, se haveria um resultado visível e aplicável, mas com a passar das turmas e dos anos vimos que valeu a pena. Muitos fizeram e fazem uma carreira literária sólida e outros não seguiram adiante, mas o que é certo é que foram 800 escritores nestes 40 anos e que temos a sensação que o modelo de oficina de criação literária e a consolidação do pensamento e da teoria sobre a escrita passou a integrar o cotidiano das universidades, por isso fiquei mais tranquilo para me aposentar e deixar os meus alunos e demais professores seguirem este legado”, destacou Assis Brasil.
Em uma parte da conversa, Luiz Antonio de Assis Brasil exaltou a vocação e a leitura mais que o talento para que se lapide um escritor. “O escritor precisa ter a vocação, um conjunto de circunstâncias, perceber o literário no meio da vida, em uma cena de rua cotidiana. Isto é o que eu chamo de vocação. Normalmente a vocação surge na idade adolescente ou mais tarde, quando a percepção se refina. E outro fator importante é a leitura. Dedicar um tempo à leitura. Aprender com aquela leitura. A leitura deixa de ser um objeto de prazer, mas de conhecimento. A literatura como forma de prazer, como forma de transformação pessoal e geracional”. Irka Barrios destacou que quando entrou para a Oficina de Criação Literária, na aula presencial, o professor recebia os alunos chamando-os de escritores, com um primeiro respeito, uma consideração e uma generosidade para com a pessoa e os textos que ela vai construir.
A antologia “Outono, 19h” foi resultado da 40• Oficina, a última neste formato na PUCRS, pois o professor se aposentou após 50 anos de docência, dizendo que decidiu parar por ver que a Escrita Literária e Criativa é uma realidade sólida nas universidades pelo Brasil, apesar de ainda querer mais Mestrados e Doutorados específicos no país, assim como nos Estados Unidos e alguns países europeus.
A antologia foi organizada por Assis Brasil e pelas escritoras Carolina Panta e Marília Santos Krüger. Cada conto traz ilustrações da artista Manuela Ramalho, que também assina a capa. O livro será lançado pela editora Bestiário e já está em pré-venda. O prefácio é da doutoranda em Literatura Aline Caixeta, que atuou como monitora da turma. Assis Brasil é autor de 20 romances, duas obras de não ficção e organizador de diversas obras coletivas. Seu último romance é Leopold (2023). Em dezembro de 2024, ele se aposentou da PUC-RS, onde lecionou por 50 anos e onde ministrou a oficina de criação literária mais longeva do país. Os contos de “Outono, 19H” foram produzidos pelos escritores Bruno Vial, Carolina Panta, Eduardo Resing, Francisco Filho, Diego Pansani, Juliana Ulyssea, Laura Assis, Maya Falks, Manoel Carlos Alves, Manuela Ramalho, Marília Santos Krüger, Salma Soria, Talita Tibola, Tiago de Alma e Vilto Reis. Ao final do evento, os 12 autores presentes autografaram o livro.