Adiados em função da enchente de maio, o público porto-alegrense esperou quatro meses para se reencontrar com Alexandre Pires e o Só Pra Contrariar (SPC), com a banda original, na noite desta sexta-feira no Araújo Viana.
E a espera não poderia ter sido mais emblemática. Afinal, o primeiro de dois shows (o segundo ocorre na noite deste sábado) foi no dia 20 de Setembro, data histórica do Rio Grande do Sul.
Isso porque após tantos desafios e o luto ainda presentes em função da tragédia climática, o show foi marcado por nostalgias, homenagens à música popular brasileira e ao Rio Grande do Sul.
Vocalista da banda, Alexandre Pires cantou “Querência Amada”, conhecido pela voz de Teixeirinha e um hino não oficial do Estado, levando o público a cantar ainda mais alto.
Três horas de clássicos e referências
Cantar foi a tônica das três horas ininterruptas de show, nas quais a banca repassou um repertório amplo das músicas que marcam os 35 anos do SPC, com clássicos, como “Domingo”, “Essa tal Liberdade”; “Depois do Prazer” e “Mineirinho”.
Porém, quem esperava um tradicional show de pagode dos anos 1990 e 2000 foi surpreendido. Sim. Alexandre Pires, na sua melhor forma dançando, cantando e com domínio total do palco, recordou clássicos dos anos 90 de outras bandas, em um dos momentos de êxito do público, como também trouxe outras homenagens.
Ao fazer uma homenagem ao cantor jamaicano Bob Marley, o Araújo Viana foi invadido pelo reggae, ao tocar “Is This Love” e “One Love”.
Porém, ao homenagear a música popular brasileira, de Norte a Sul do país, a banda repassou por diferentes estilos musicais, como forró e sertanejo. “A música brasileira é única. Até porque cada região tem a sua cultura e seu estilo. E eles se entrelaçam, se respeitam e se conectam”, ressaltou Alexandre Pires ao público.
E foi mais ao final que a homenagem a Jorge Ben Jor, que o público cantou a plenos pulmões “Fio Maravilha” e “Taj Mahal”, por exemplo.
Fato é que se esse realmente foi o “último encontro”, como diz a turnê, o público perde a oportunidade de se conectar com o Brasil musical dos anos 1990, mas também com o profissionalismo e a entrega que banda (não só do pagode) SPC faz ao público.
Na noite deste sábado, haverá uma nova oportunidade, apesar de os ingressos estarem quase esgotados.