O diretor Darren Aronofsky, que tem em seu currículo filmes bastante sombrios, como "Cisne Negro" (2011), "O Lutador" (2008) e "Réquiem para um Sonho" (2000), deixa sua marca nesta adaptação de uma passagem do livro de Gênesis. Até aproximadamente a metade do longa-metragem, o drama segue, com algumas licenças poéticas, o que está no relato bíblico: Deus se cansa da corrupção da humanidade e avisa a Noé para construir uma arca, onde deveria salvar um casal de cada espécie e sua família (sua mulher, vivida por Jennifer Connelly, e seus três filhos). O dilúvio seria uma espécie de purificação. A "nova" humanidade ressurgiria melhor. Em relação ao texto bíblico, o filme altera várias questões. Um exemplo: no texto sagrado, os filhos de Noé já eram casados quando entram na arca. Na versão do filme, não, o que gera conflitos de diferentes ordens. Outra questão é que Noé passa a defender mais a vida dos animais do que a dos homens, o que também é uma interpretação do diretor. Noé se torna, em meio ao dilúvio, um ser atormentado e de salvador passa a gerar medo na própria família. Por isso, não é de se surpreender que o filme tenha desagradado grupos cristãos que não encontraram nele um relato fiel ao da Bíblia. Em alguns países de maioria muçulmana, como Emirados Árabes, o longa foi proibido, por consideraram a figura de Noé a de um profeta, e uma lei islâmica proíbe sua representação.
Mas quem deseja assistir apenas a uma superprodução irá encontrar um drama imerso em efeitos especiais. Uma curiosidade da produção é a construção da arca, que foi talhada exatamente de acordo com as medidas descritas. Aronofsky explicou que era a descrição de uma "caixa", de forma que tinha apenas que sobreviver ao dilúvio e boiar, não necessariamente navegar. Agora resta ver se a empreitada polêmica de Aronofsky vai naufragar ou não.
Assista o trailer: