Arte & Agenda

Com show dividido em capítulos, John Mayer celebra influências do blues em Porto Alegre

Repertório mesclou sucessos e novidades do cantor e guitarrista

Cantor e guitarrista se apresentou por quase duas horas no Anfiteatro Beira-Rio
Cantor e guitarrista se apresentou por quase duas horas no Anfiteatro Beira-Rio Foto : Ricardo Giusti
Os relógios marcavam 21h10min quando o telão anunciou a turnê “The Search for Everything” e o capítulo um de um show distribuído como uma série de TV. Antes disso, os gaúchos da General BoniMores e o duo mexicano Rodrigo y Gabriela haviam feito a abertura para John Mayer,  que subiu ao palco do Anfiteatro Beira-Rio acompanhado de sua banda para esta primeira parte da apresentação. Para começar, eles tocaram “Helpless”, uma das canções do disco homônimo à tour que chegou ao Brasil na semana passada e se despede do país na sexta-feira, quando passa pelo Rio de Janeiro.

Já de cara, o cantor, compositor e instrumentista mostrou que a noite seria de muitos solos, ressaltando todo seu talento como guitarrista e saudando suas referências. O artista não costuma manter um setlist fixo, o que acaba deixando sempre um clima de suspense no ar. Por outro lado, também prova que ele confia no próprio trabalho e não tem medo de experimentar com suas canções – e, de quebra, deixar uma porção de hits de fora do repertório.

A segunda da noite foi “Moving On And Getting Over”, outra do disco lançado em abril deste ano. Ao final desta, o músico fez uma saudação inicial aos 15 mil presentes e ainda disparou um “brigado”, num pedido para deixar a formalidade de lado. Depois, “Who Says”, “I Don’t Trust Myself (With Loving You)” e a aclamadíssima “Why Georgia” fecharam o primeiro set ao lado de banda completa, que conta com David Ryan Harris e Isaiah Sharkey nas guitarras, Tiffany Palmer e Carlos Ricketts nos vocais de apoio, Larry Goldings no teclado, Pino Palladino no baixo e Steve Jordan na bateria.

O segundo capítulo foi o acústico, iniciado com aquele que talvez seja o maior sucesso da carreira de John Mayer: “Your Body is a Wonderland”, do álbum "Room for Squares" (2001), responsável pelo momento em que as luzes das lanternas dos celulares tomaram conta do espaço. Após, “Emoji of a Wave” e “In Your Atmosphere” mantiveram a plateia embalada. E foi o John Mayer Trio o responsável pelo terceiro set, o que mais celebra a vertente blues do artista. Ao lado dos talentosos Pino Palladino e Steve Jordan, John Mayer comandou jams com “Everyday I Have The Blues”, “Vultures” e “Crossroads”.

A banda completa retornou ao palco para a seção final e mais longa, puxada por “In the Blood”, também de "The Search for Everything". A sequência teve “Stop this Train”, “Slow Dancing in a Burning Room”, "If I Ever Get Around to Living” e “Dear Marie”, cujo coro continuou mesmo após os músicos pararem de tocar. Duas canções fundamentais na premiada trajetória de John Mayer foram escolhidas para encerrar o show: “Waiting on the world to change” e “Gravity”.

A fórmula dos capítulos é semelhante a que foi utilizada pelo artista em “Where The Light Is: John Mayer Live in Los Angeles”, DVD ao vivo lançado em 2008 e que reuniu os maiores sucessos dele até então. Hoje, John Mayer varia as canções a cada show e possui novos sucessos para incrementar o repertório, mas a segmentação segue funcionando muito bem, imprimindo personalidade e dinamismo à apresentação e destacando a performance de um exímio guitarrista e, ao mesmo tempo, grande cantor e compositor do pop. Dessa forma, um espetáculo de quase duas horas passou voando e quando o telão anunciou o "the end", assim como nas séries, os créditos foram exibidos citando toda a galera envolvida na produção e, claro, deixando aquele gostinho de quero mais para a próxima temporada.

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