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Com show sonoro e visual, Pet Shop Boys revive o pop dos anos 90 em Porto Alegre

Duo britânico formado por Neil Tennant e Chris Lowe se apresentou no Pepsi OnStage

Noite foi marcada pela qualidade sonora e efeitos luminosos
Noite foi marcada pela qualidade sonora e efeitos luminosos Foto : Divulgação / CP
O cenário e o clima eram de uma danceteria underground saída diretamente do início dos anos 1990: decibéis tecnicamente no ponto, explosão de luzes, cores e brilho, algumas pessoas mais empolgadas e outras mais acanhadas. Agora imagine esse ambiente potencializado pela qualidade de LEDs, um telão imenso e jogos de holofotes e laser modernos. Nessa mescla de passado e presente, o Pet Shop Boys retornou a Porto Alegre neste sábado, dez anos após passar pela Capital pela primeira vez. Durante quase duas horas, o visionário e extravagante duo de synthpop apresentou muito carisma e qualidade sonora, enfileirando hits de diferentes épocas da carreira numa noite de ode à música e à liberdade.

Conhecidos na música pela amálgama de sintetizadores e batidas ritmadas, Neil Tennant e Chris Lowe também são dois defensores das lutas e reivindicações da comunidade LGBT. Se no Brasil a situação não é das melhores para essas pessoas, quem esteve no Pepsi On Stage pôde curtir com extrema alforria um show de união e resistência - algumas das canções versam sobre AIDS, ditadores, imposições de regras de modelo de vida e denunciam mazelas sociais contemporâneas. Tudo isso unido a um som dançante e enérgico que agrada o público bastante diversificado, dos solteiros aos casais, não importando a orientação sexual.

A dupla subiu ao palco com 27 minutos de atraso, no embalo de "Inner Sanctum", do disco "Super" (2016), exibindo sua irreverência e levando a plateia aos gritos. Com seus estilos peculiares, eles vestiam terno preto acompanhado por um capacete metalizado. Depois do número de abertura, Neil e Chris tocaram "Opportunities (Let's Make Lots of Money)", extraído de "Please” (1986). Na sequência, a faixa house na qual o vocalista anuncia antes de começar: "Hoje à noite somos todos 'The Pop Kids'". E então provoca, cantando: "Nós éramos tão jovens mas imaginávamos / que éramos tão sofisticados / Dizendo a tudos que sabíamos / Que o rock era superestimado" e, depois, entona orgulhosamente: "Eles nos chamavam as crianças pop / Porque nós amamos os hits pop / E citávamos os melhores bit / Então nós somos as crianças pop".

Foi somente após a quarta música, "In The City", que os artistas tiraram seus capacetes e mostraram o rosto, levando o público à loucura. A primeira parte do show teve uma espécie de alternância temporal, na qual a banda intercalava sucessos mais antigos, como "New York City Boy", com trilhas mais atuais, como "Love Is a Bourgeois Construct" e "Burn", respectivamente dos discos "Electric" e "Super", os dois trabalhos últimos produzidos por Stuart Price, reconhecido também pelos trabalhos como nomes como Madonna, Kylie Minogue, Example, Take That e Missy Elliott. 

Homenagem ao Brasil e lançada dois anos depois que o duo se apresentou no país pela primeira vez, em 1994, "Se A Vida É (That's The Way Life Is)" também esteve no repertório. Ainda que tenha versos em português, o público não se mostrou muito entusiasmado com a canção e acompanhou com discretas batidas de palmas. "Love Comes Quickly", do primeiro disco dos ingleses, veio na sequência, seguida por "Love etc.". A estratégia de jogar faixas contemporâneas entre aquelas já datadas parecia não surtir muito efeito - alguns espectadores conversavam e mexiam nos celulares enquanto o show acontecia nas músicas mais novas e nos lados B. Por exemplo, "The Dictator Decides", com uma letra que traz uma forte crítica a alguns governantes, passou quase despercebida.

Se até então o clima na pista era morno, com poucos cantando, o clássico "West End Girls" esquentou o ambiente e colocou os fãs para dançarem, inclusive com direito a sing along no refrão. O alto engajamento manteve-se com "Home And Dry", uma faixa mais lenta que serviu para comprovar quem os vocais de Neil soam exatamente iguais aos discos e também funcionou como uma espécie de pausa para que os artistas pudessem recuperar o fôlego. A música foi seguida por uma mixagem de som que, com um show de luzes laser de várias cor, fez um show a parte. "Vocals" também levantou os espectador, num dos momentos mais enérgicos da noite, no qual os espectadores pulavam e batiam palmas com as mãos erguidas.

O melhor, ou mais conhecido, contudo, ainda não havia chegado. O verdadeira alto astral começou com "It's a Sin", single principal do segundo álbum de estúdio da dupla, "Actually", e que é uma unanimidade. Sob um mar de câmeras de celulares apontados para si - quase todos queriam registrar a performance da icônica música -, Neil mostrou que consegue segurar as notas altas, arrancando gritos eufóricos. Depois, mais frenesi com "Left to my own devices" e o hino "Go West", uma regravação do da faixa homônima do Village People. A banda saiu de palco após agradecer pela semana maravilhosa que teve no Brasil e pelo público ter lhes recebido tão bem.

Não satisfeita, afinal o ápice recém tinha sido atingido, a multidão gritou pelo bis, pedido que foi atendido rapidamente. O Pet Shop Boys retornou com nada menos que "Domino Dancing", faixa que, como sugere seu título, colocou todos para dançar naquela discoteca que havia se formado. "Always On My Mind", outro sucesso absoluto, veio entoada a pulmões plenos, tanto pela banda quanto pelos fãs. A festa de fato acabou com uma versão remixada de "The Pop Kids, para lembrar às "crianças pop" que os anos da brilhantina e a música sempre serão um refúgio eficaz para escapar dos problemas, da liquidez e da obscuridade da sociedade contemporânea.

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