Se há um grande orgulho porto-alegrense, este chama-se Feira do Livro. Em 2015, a Feira, considerada a maior a céu aberto em toda a América Latina, aterrissa na Praça da Alfândega conciliando o que há de melhor em termos literários e intelectuais com um quadro de dificuldades que atinge o país e, em particular, o Rio Grande do Sul, da falta de recursos às calamidades trazidas pela natureza. De hoje ao dia 15 de novembro, a Praça vai agregar cerca de 120 expositores, abrigará 700 sessões de autógrafos, além de oficinas, encontros com autores e larga programação artística.
Pela primeira vez em seis décadas, a Feira teve suas instalações inspecionadas pela prefeitura, que, por meio do secretário de Obras, Mauro Zacher, prometeu corrigir problemas de calçamento e iluminação para receber um público estimado em mais de 1 milhão de pessoas. “A praça é o nosso cartão de visitas, para o público local, nacional e do mundo. Temos de ter uma praça limpa e sem problemas estruturais”, lembrou o presidente da Câmara Rio-grandense do Livro (CRL), Marco Cena.
Entre as novidades, está a inauguração do Teatro Carlos Urbim, na Avenida Sepúlveda, em homenagem ao escritor gaúcho falecido em fevereiro deste ano, e a vinda de expoentes internacionais das letras, como Annik Cojean, jornalista francesa que em 2012 lançou obra investigativa revelando detalhes da personalidade do líder líbio Muammar Gaddafi e a prática do estupro como arma de guerra.
E se há novidades, há clássicos que se repetem, como o evento “Tu, Frankenstein”, que desafia autores para uma noite criando histórias de suspense e terror. Neste ano, o encontro acontece dia 7 de novembro nas dependências do Theatro São Pedro, prédio do século 19, adequado para aguçar a imaginação dos participantes na criação de personagens sombrios e assustadores.
Nesta sexta-feira, a partir das 19h, acontece a abertura oficial da Feira, no Teatro Carlos Urbim, com a presença de autoridades e apresentação da Banda Municipal. Para o presidente do CRL, o convite é para que todos se ponham a pensar entre os jacarandás: “Só o livro encurta a distância entre o saber e o executar”.
Sapatos novos para Dilan
Em muitas situações, ouvir a voz da experiência é de grande ajuda. Por isso, o patrono da 61ª Feira do Livro, o escritor, poeta e compositor Dilan Camargo, pretende seguir o conselho que lhe foi dado pelo seu antecessor, Airton Ortiz, patrono da feira no ano passado. Ortiz, em encontro com Camargo no Memorial do Rio Grande do Sul, recomendou que o novo patrono percorra todas as bancas da feira, para conversar e estimular os livreiros a continuarem investindo na ideia. “Esta era uma reclamação recorrente dos livreiros, o distanciamento do patrono. Vale gastar a sola de um sapato”, ensinou Ortiz.
Nascido em Itaqui, hoje aos 66 anos, Dilan estreou na literatura com a coletânea poética “Em Mãos”, em 1976, e já publicou vários outros livros de poemas e infantis, como “Diário sem Data de uma Gata” e “O Embrulho do Getúlio”. “Não há presente maior para um escritor do que ser eleito patrono da Feira do Livro”, afirmou o anfitrião emocionado ao prometer comprar sapatos novos para encarar a empreitada.
Começa nesta sexta a Feira do Livro de Porto Alegre
Evento vai até dia 15 com expectativa de público de mais 1 milhão de pessoas