O show do multi-instrumentista, compositor e cantor argentino Pedro Aznar realizado nesta terça-feira à noite, no Teatro do Bourbon Country, foi um exercício de boa música, de versões de obras de grandes compositores, incluindo as dele próprio, por um excelente instrumentista para um público bastante a fim da música, em afinidade e harmonia com ela. Como no disco mais recente, “A Solas con El Mundo” (2010), que quer dizer “A Sós com o Mundo”, Pedro Aznar ficou a sós com o público e com os instrumentos e tocou 24 músicas durante 1h50min, na segunda noite do 6º Festival de Inverno de Porto Alegre.
Era 21h07min, quando o cantor, baixista, guitarrista, tecladista e compositor argentino teve as luzes abertas sobre ele e o violão. Saiu tocando e cantando “Fugu”, do disco “Quebrado” (2008), que foi seguida por “Amelia”, versão para uma música de Joni Mitchell. O ex-músico do Serú Girán (junto com Charly García), hoje com 52 anos, tocou a faixa-título “A Solas con El Mundo”, com base sampleada e execução de variações na escaleta, seguidas de “El Rei Lloró”.
Com o baixo em punho, tocou “Amor de Juventud”, que já cantou em parceria com Gal, e “Junk”, versão sua para a música de Paul McCartney. Após estas primeiras seis músicas, conversou com o público, dizendo em português que: “Porto Alegre está deixando de ser estrangeira para mim, pois está povoada de lembranças e amigos. Vocês respeitam a língua espanhola, muito mais do que no Rio e São Paulo”.
Aznar voltou à carga com “Los Hermanos”, de Atahualpa Yupanqui, que já foi cantada por Elis Regina e Mercedes Sosa. Os versos iniciais soam nostálgicos: “Yo tengo tantos hermanos que nos los puedo contar”. Seguiram-se músicas do naipe de “Soledad”, “Se Llega a Ser Tucumana” e “Muñequitos de Papel”. Logo, Aznar chamou ao palco o gaúcho Antônio Villeroy e tocaram duas músicas de cada: “Nubes Negras” e “Lina de Luto”, de Aznar; e “São Sebastião” e “Pra Rua Me Levar”, de Villeroy.

Após a participação de Antônio, o show foi se encaminhado para o seu final, com uma magistral interpretação de “Calling You”, de Jevetta Steele, que está em “A Solas con El Mundo” e ganhou fama mundial na trilha do filme “Bagdad Café”. A essa, seguiram-se “Vos Sos Mi Amor”, “Media Verônica”, “À Primeira Vista”, de Chico César; “Quebrado”, fechando a apresentação com “Y Arriba Quemando El Sol”, de Violeta Parra, pedindo a participação do público e “Tan Alta que Esta La Luna”, com um canto de chamada e resposta argentina, onde o público respondia “con mi cajita de cuero, te digo adiós”. Quem disse adeus foi Aznar, mas o público pediu a volta e ele tocou outras duas versões dele para faixas de “A Solas Con El Mundo” - “While My Guitar Gently Weeps”, de George Harrison” e “Todo El Amor que Exista en Esta Vida”, de Cazuza.