Pouco antes de criar a obra, Gades passava por uma difícil situação pessoal, separava-se da esposa, Pepa Flores, seu pai havia falecido e o irmão também, em circunstâncias trágicas. Cansado também das constantes turnês ao redor do mundo, decidiu se afastar dos palcos. Num período de reflexão e descanso, que se encerra em 1989, é chamado para vários projetos, entre eles a montagem de “Fuego” para o Teatro de Châtelet.
O estado de ânimo de Gades se reflete na obra, que tenta fugir da fantasia do roteiro original e narra a história de uma alienação mental envolta numa atmosfera onírica e tenebrosa. A sua breve existência nos permite uma aproximação, hoje, a uma obra de Gades, quase como se fosse a primeira vez. Muitos dos recursos empregados ali nunca se repetiram e constituem hoje uma surpresa que faz com que a obra mantenha o seu frescor.
Antonio Gades soube reunir grandes profissionais para trabalharem em conjunto na execução das suas obras. Carlos Saura, Gerardo Vera, o maestro Jesús López Cobos, Rocío Jurado são alguns dos grandes nomes que se uniram para a versão cênica de “El Amor Brujo”.