Não é somente o fantástico leque de informações ou traduções do famoso Conde de Stoker que serviu de base a esta bela e ambiciosa montagem, que tem coreografia assinada por Cláudia Martins e Rafael Carriço. A dupla portuguesa, com certeza, investe também em outros mitos, lendas e medos, que “nadam com braçadas fortes” em torno da vermelha orla “draculiana”, como a sanguinária Baronesa Elizabeth Battory, e outros personagens.
A ideia geral é a de reforçar todos os ângulos do amplo e o enigmático universo do horror por meio da dança. Assim, trazido dos confins da Transilvânia, e convidado para dançar nos dias de hoje, aquele magro, pálido, malévolo e quase transparente nobre ganha vida assumindo as mais diferentes formas, que podem ser caras, animais e corpos em autêntico frenesi. Como qualquer outra criatura da noite que circula esfomeada, carente em pleno exercício da angústia física, não se deixe enganar por outras cores do arco-íris, já que “Drácula” diz a que veio logo de cara. E sua cor, como você deveria saber, é o vermelho.