Três grandes talentos da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa) ganham uma vitrine no concerto marcado para este sábado, 21 de maio, às 17h. Um dos maiores trombonistas do Brasil, José Milton Vieira estreia uma obra composta pelo músico Arthur de Faria especialmente para ele. Já o violinista Leonardo Bock e o contrabaixista Eder Kinappe executam uma obra desafiante do italiano Giovanni Bottesini. Quem comanda o espetáculo é o regente convidado Salvador Vázquez, que já conduziu grandes orquestras da Espanha, como as de Castilla y León, da RTVE, de Sevilha e de Málaga. Às 16h, a pianista, compositora e pesquisadora Catarina Domenici falará ao público sobre as obras que estão no programa, dentro do projeto Notas de Concerto. Os ingressos estão à venda pela plataforma Sympla.
Trombone solista da orquestra com prêmios nacionais e internacionais no currículo, José Milton Vieira pediu que o compositor gaúcho Arthur de Faria criasse uma obra especialmente para ele. Após 45 dias estava pronto o “Concertino para trombone e orquestra”. Faria explica que escreveu uma peça muito difícil para tirar proveito do virtuosismo de Vieira: “Na primeira vez em que a Ospa tocou uma música minha, uns 5 anos atrás, já foi uma emoção incrível, mas agora é a primeira vez que escrevo uma obra especialmente para a sinfônica estrear. Fico ensaiando com o Miltinho na Escola da Ospa e me lembrando dos meus tempos de aluno lá, quando ficava na André da Rocha”.
Os nomes dos movimentos denunciam a mistura de música popular e de concerto, como “Adagio / Prestíssimo Taquicárdico”, “Adagio Milongueiro” e “ Vivace Rock-Valseiro”. Tanto o compositor quanto o solista circulam por esses dois ambientes. “Sempre fui muito fã do estilo do Arthur, ele mistura influências de compositores diferentes numa obra só e com senso de humor. Fiquei muito contente com o que eu ouvi, a mistura de erudito e popular, os contrastes de cores. O primeiro e terceiro movimentos exigem muito da minha desenvoltura técnica, são muito rápidos. O segundo me tira da zona de conforto e me desafia a improvisar”, comenta José Milton Vieira.
Outra peça exigente para os solistas é “Gran duo concertante para violino e contrabaixo”, trabalho muito popular do italiano Giovanni Bottesini (1821-1889). Leonardo Bock e Eder Francisco Kinappe interpretam a peça, que sintetiza as melodias do “Bel Canto”, tradição vocal surgida na ópera italiana, com características da música de Paganini. Após o intervalo, a OSPA executa a “Sinfonia nº 2 em Sol Maior”, do inglês Ralph Vaughan Williams (1872-1958). Conhecida como “Sinfonia de Londres”, a obra é um retrato afetivo da cidade, com citações a canções populares da época e aos sons das ruas, como o badalar dos sinos da Torre do Relógio (“Big Ben”). A estreia ocorreu em 27 de março de 1914, poucos meses antes do início da Primeira Guerra Mundial.
Concerto da Ospa hoje traz nova composição de Arthur de Faria
A regência da apresentação é do convidado espanhol Salvador Vázquez