No concerto deste sábado, às 17h, a Ospa estará sob a batuta do uruguaio Martín Jorge, atual diretor artístico da companhia de ópera do Teatro Solís e regente titular da Banda Sinfônica de Montevidéu. A viola e o contrabaixo ganharão protagonismo com solos do argentino Julián Medina (contrabaixo) e do brasileiro Renato Bandel (viola). Intitulada Sinfonia Concertante, a apresentação será na Sala Sinfônica da Casa da Ospa (Borges de Medeiros, 1501), com transmissão pelo YouTube da Ospa. Ingressos na Sympla. A palestra Notas de Concerto, que prevê uma introdução ao repertório antes do espetáculo, será às 16h, a cargo de Max Uriarte.
Segundo o maestro Martín Jorge, o repertório coloca em primeiro plano os instrumentos de cordas friccionadas, ou seja, aqueles que produzem som a partir da fricção do arco na corda: violinos, violas, violoncelos e contrabaixos. Nesse concerto, o destaque, tradicionalmente dado aos violinos e violoncelos, é cedido à viola e ao contrabaixo. Essa exploração sonora se inicia pelo "Concertino para Viola" (1978), de Ernst Mahle, compositor alemão nascido em 1929 e radicado em Piracicaba (SP). Para executar o solo da obra, a Ospa recebe um dos maiores violistas do Brasil, Renato Bandel, que já atuou como músico na Orquestra Filarmônica de Berlim e na Osesp, entre outras grandes orquestras. Atualmente ele é gerente artístico do Conservatório de Tatuí.
Bandel estudou na escola de música que Mahle fundou em Piracicaba e é muito familiarizado com as suas composições. “As composições dele foram sempre de cunho artístico, obviamente, mas também pedagógico, para preparar os alunos. Ele é um dos alemães mais brasileiros que eu conheço, apropriou-se muito da temática brasileira em geral, dos ritmos, das harmonias, melodias”, comenta o violista. Na segunda peça do programa, o contrabaixista Julián Medina, integrante da Orquestra Filarmônica de Buenos Aires do Teatro Colón, toma a frente da Ospa para a execução de "Concerto nº 2 para Contrabaixo e Orquestra em Si Menor" (1845), de Giovanni Bottesini (1821–1889). “É uma obra que explora a enorme riqueza do contrabaixo e requer muita destreza e virtuosismo do solista”, define o maestro.
Na "Sinfonia Concertante para Viola e Contrabaixo em Ré Maior" (1774), o compositor austríaco Carl Ditters von Dittersdorf (1739–1799) buscou um diálogo entre os dois instrumentos, acompanhados pelo naipe das cordas como um todo. Finalizando o concerto, a Ospa executa "Die Moldau" (1874), de Bedřich Smetana (1824–1884), que envolve a orquestra completa. A obra integra um ciclo de seis poemas sinfônicos chamado Má Vlást (Minha Pátria, em tcheco), no qual Smetana fala da geografia e cultura da Boêmia, sua terra natal. "Die Moldau" descreve o percurso do maior rio da República Tcheca, o Moldávia, desde a nascente até a foz. “Na medida em que percorremos o rio, vamos passando por distintas situações, ouvindo como a carga d’água cresce, dá voltas, chega a cascatas e passa por um grupo de camponeses, até encontrar a foz”, comenta Martín Jorge. “As cordas friccionadas ajudam Smetana a representar o fluir das ondas do rio.”