Num asilo, um jovem rude, irônico, debochado e agressivo deve pagar uma pena por ter praticado um delito. Jojo é acusado de ter roubado uma moto e, para pagar sua pena, deve pintar as paredes desta instituição, onde se encontra Leo, que conheceu a glória na época em que os boxeadores eram tratados como estrelas. Demonstrando sua indignação, começa agredindo para não ser agredido, disparando que "prefere meter uma bala na cabeça do que parar numa prisão de aposentados" para o outro, que se encontra de pijama e completamente apático.
Aos poucos, uma amizade começa a se delinear, quando o jovem fala do sentimento que nutre por uma moça, a quem gostaria de impressionar. E recebe conselhos do veterano, que fala de seu passado e planos. Ele era o Leão Vermelho, que conseguiu sobreviver com o boxe e só gostava de bater no ringue. Mas esta regra foi rompida quando, por ter mijado nas calças, foi humilhado por um enfermeiro, que riu da sua condição em público e a quem desferiu um "gancho de canhota". Agora, trancado numa solitária, pretende fugir para o Sul da França.
"São dois personagens fugindo de suas lembranças e buscando perspectivas. O idoso está carente e perdendo força. Ele não está velho ainda, e sim desamparado", diz Sirmar Antunes, que há 20 anos não fazia uma temporada teatral. Para o papel, o ator de 57 anos e 36 de carreira se preparou com Júlio Ribeiro, campeão brasileiro em 1975 e vice-campeão no ano seguinte. "A montagem é uma grande luta de boxe, sem violência: você tem que perceber a fraqueza do adversário, que, no caso de Jojo, é a paixão", declara.
Idealizador do projeto, o ator Paulo Rodriguez, 30 anos, conviveu com punks para se apropriar do modo de pensar e gestual do personagem. Ele participou de uma oficina com o autor alemão Lutz Hübner, em 2001, de quem o Goethe comprou os direitos autorais.