Arte & Agenda

Considerado um dos coletivos mais importantes em São Paulo, o Grupo XIX de Teatro completou 19 anos

Espetáculo e experimentos criados em seus núcleos de pesquisa podem ser conferidos de 12 a 22 de novembro

“Acorda, Alice! Através da Tela!” é a atração de abertura, hoje, às 21h, com apresentação também neste sábado, 19h
“Acorda, Alice! Através da Tela!” é a atração de abertura, hoje, às 21h, com apresentação também neste sábado, 19h Foto : Anoca Freitas

Considerado um dos coletivos mais importantes em São Paulo, o Grupo XIX de Teatro completou 19 anos de trajetória em 2020 e para celebrar a data, promove a mostra “Projeto XIX Ano 19: Crise e Insurreição”, desta quinta até o dia 22 de novembro. Experimentos cênicos criados em seus núcleos de pesquisa orientados por Janaina Leite, Juliana Sanches, Luiz Fernando Marques, Rodolfo Amorim e Ronaldo Serruya podem ser conferidos por meio da plataforma Zoom. Ingressos:https://www.sympla.com.br/grupoxixdeteatro.

“Foi um pouco triste essa coincidência do nosso aniversário de 19 anos com a Covid-19 e com este atual estado de suspensão. Por outro lado, desde que o grupo nasceu, nunca pudemos fazer uma pausa, com todas as nossas peças, festivais, a Vila Maria Zélia e os núcleos de pesquisa. Acho que essa suspensão nos permite olhar para essa trajetória de forma distanciada, e, quando voltarmos presencialmente, vai ser tudo muito especial porque estaremos sedentos de teatro. E este momento terá sido importante para repensarmos ainda mais a questão do encontro que tanta marca o nosso trabalho. Sinto que esse baque nos faz, como sociedade, valorizar um pouco mais essa questão do estar junto e de poder desfrutar a nossa cidade”, revela o diretor Luiz Fernando Marques, o Lubi.

A atração de abertura, nesta quinta-feira, às 21h e próximo sábado, 19h, é “Acorda, Alice! Através da Tela!”, com dramaturgia e direção de Juliana Sanchez. O ponto de partida é a chegada de seis mulheres em um espaço de encontro digital habitado por outras, que parecem saber sobre o tempo e sua passagem. As recém-chegadas perguntam e demonstram insegurança quanto as horas, os dias, os anos: Qual é o tempo em que vivo, o que ele marcou na minha carne? O que esperam de mim, de nós no decorrer desse tempo? Como ele nos percorre e como nós o atravessamos? Sempre marcado pelo tempo, o espetáculo percorre a trajetória cíclica da mulher, passando pelas fases da menina, adolescente, adulta e anciã. Nesse jogo, todas se misturam e se contagiam numa dança de cumplicidade e sororidade. As perguntas e as respostas já não importam mais, pois elas se colocam juntas neste tempo.

Amanhã e domingo será a vez de “Memórias de Cabeceira”, com direção de Rodolfo Amorim, nesta sexta e domingo, às 20h.  O espetáculo materializa, em uma experiência cênica, o plano da memória dos atores sobre seus avós e desperta as lembranças do público sobre seu próprio passado, que permanece ocupando o presente em forma de saudade. Através da investigação da memória dos atores, a história de quatro avós é remontada. Essas figuras presentes no imaginário comum, que carregam como peculiaridade a importância e saudade deixada nesses netos-atores e plateia, acabam se revelando como testemunhas, arquivos e índices de nossa própria trajetória.

Grupo XIX de Teatro
Desde 2001 o Grupo XIX de Teatro desenvolve pesquisa autoral que deu origem aos espetáculos Hysteria, Hygiene, Arrufos, Marcha Para Zenturo (em parceria com o Grupo Espanca), Nada Aconteceu, Tudo Acontece e Tudo Está Acontecendo, Estrada do Sul (em parceria com o Teatro Dell’Argine) e Teorema 21. A exploração de espaços não-convencionais, a criação colaborativa e a relação direta com o público nas encenações são elementos constitutivos dessa trajetória. Todos os espetáculos seguem em repertório até hoje, tendo sido apresentados em quase uma centena de cidades pelo Brasil e cinco países do mundo com as encenações realizadas em inglês, italiano e francês.

A partir de 2004, o grupo realiza uma residência artística na Vila Maria Zélia na Zona Leste de São Paulo. A “Vila” é hoje um espaço de pesquisa, difusão e formação que abriga projetos como os Núcleos de Pesquisa que acolhem anualmente cerca de cem artistas, além de diversos espetáculos e oficinas. Com esta ação contínua o grupo tem conseguido criar uma relação com o público da cidade de São Paulo que vai além de suas próprias peças e transborda o meio teatral fazendo parcerias com as áreas do cinema, das artes plásticas, dança, fotografia, arquitetura e história.

 

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