Contos Completos, que a Biblioteca Azul (selo da editora Globo) lança nesta semana, reúne os quatro livros de contos que Lobato publicou em vida: "Urupês" (1918), "Cidades Mortas" (1920), "Negrinha" (1922) e "O Macaco Se Fez Homem" (1923). São textos em que ele comprova não ter se influenciado pelo clima de reforma que marcava os autores do Rio de Janeiro, tampouco se entusiasmado pelas ilusões da Semana de Arte Moderna de 1922, que encantou a jovem burguesia paulistana.
"A contundência com que constrói a imagem do País, as imagens que apresenta da gente que o habita, as situações e os conflitos de seus personagens não só provocaram recepção favorável imediata como permanecem importantes no quadro da cultura brasileira, sobretudo pela forma com que Lobato, nestes textos, dá à realidade que quer mostrar, a da ficção", observa Beatriz Rezende, professora da Faculdade de Letras da UFRJ e autora do prefácio da edição. Para ela, as narrativas do escritor paulista não eram para entreter, mas para provocar.