Morto na manhã desta quarta-feira após sofrer um mal súbito, o corpo do produtor musical e diretor Luiz Carlos Miele, de 77 anos, será velado nesta quinta-feira, 15, das 7h às 14h, na Câmara Municipal do Rio, no centro da cidade. Depois, o corpo do produtor segue para o Cemitério do Caju, na zona portuária, onde será sepultado às 16h.
Parentes acreditam que ele foi vitimado por um infarto fulminante. A morte de Miele, torcedor do Fluminense, surpreendeu os amigos. Todos contam que, apesar da idade, ele não aparentava ter problemas de saúde. O produtor não fazia questão de largar o hábito de beber uísque, mantido havia décadas. Na noite anterior à morte, ele saíra para jantar. À assessora Vânia Barbosa, com quem conversara naquela noite, disse que estava bem. "Ele saiu com amigos e com a mulher para jantar. De manhã, ela acordou cedo e não o viu na cama. Foi até o escritório e encontrou-o caído no chão. Me ligaram. Quando eu cheguei, os bombeiros já estavam aqui", relatou.
Os bombeiros encontraram Anita (mulher de Miele) deitada ao lado do marido, muito abalada. Era no escritório que Miele costumava beber seu uísque. "Ele deitou e apagou. Morreu como os bons morrem", disse o cartunista Ziraldo, que esteve na casa logo após receber a notícia da morte. Para Ziraldo, Miele "morreu muito feliz". "Miele era igual a um boi, não sabia a força que tinha. Não sabia que ele era o Miele. Não tem ninguém que chegue aos pés dele. Miele sabia tudo de showbizz e continuava a vida toda como um provinciano. Ele achava que ainda tinha que ser aceito. Ele
ficou no ostracismo algum tempo e, nesses últimos anos, estava no melhor momento da vida dele. Estava muito bem, muito realizado", afirmou o cartunista.
Segundo o diretor teatral Claudio Botelho, amigo com quem Miele trabalhara em 2012 no musical "O Mágico de Oz", interpretando o personagem-título, o produtor musical sonhava, nos últimos anos, em contar a própria vida em um espetáculo. Seria "Um musical chamado Miele". "Ele queria muito fazer um musical onde contasse as histórias dele e também cantasse, meio de improviso. A gente chegou a conversar algumas vezes. Mas aí 'O Mágico' veio na frente", disse Claudio.
Botelho, diretor de vários musicais adaptados da Broadway, lembra que Miele era um grande conhecedor das produções teatrais norte-americanas. Por isso, ao estrelar seu primeiro musical inspirado na Broadway, depois de atuar e dirigir tantas outras produções, demonstrava empolgação de iniciante. "Durante o processo, Miele era um pinto no lixo. Chorava em todos os ensaios quando acabavam, porque considerava uma estreia dele. Era um mundo que ele amava, o mundo da Broadway. Ele sabia tudo dos grande musicais." Os ensaios, lembra o diretor, só começavam depois que Botelho terminava as longas conversas mantidas com Miele. Mesmo assim, ainda havia assunto para um bar, com pizza (e uísque duplo para Miele), depois das atividades no palco.
Corpo de Carlos Miele será velado na Câmara Municipal do Rio
Produtor foi encontrado morto em casa na manhã desta quarta-feira