Norma Bengell morreu na madrugada, vítima de problemas respiratórios causados por um câncer no pulmão esquerdo. Ela estava internada em um hospital do Rio.
Segundo amigos e familiares, a atriz estava lúcida, embora tivesse dificuldades para reconhecer algumas pessoas. Ela sofria com problemas de saúde desde 2010, quando uma série de quedas em sua casa provocou um problema na coluna que dificultava sua locomoção. A atriz não quis tratar o câncer, descoberto seis meses atrás, segundo contou o primo Egberto Castro.
Ele disse que ela teve qualidade de vida em casa nesses últimos meses, e só foi internada no último sábado, na Clínica Bambina, quando o quadro se agravou. "Eu não sei dizer o porquê da decisão. Ela estava triste. Não quis se submeter a qualquer tratamento e foi respeitada. Foi muito digna. Quis ficar em seu apartamento, em Copacabana, entre suas fotos. Nunca quis morar no Retiro dos Artistas, por exemplo. Para sair era uma dificuldade, por conta da cadeira de rodas, mas costumava comer o seu sushi aos domingos, com a cuidadora", disse o primo.
História
Considerada uma das principais atrizes do Cinema Novo brasileiro, Norma Bengell protagonizou o primeiro nu frontal da cinematografia nacional, no filme "Os Cafajestes", dirigido em 1962 por Ruy Guerra. Dona de uma beleza estonteante, voz sensual, ela começou a carreira fazendo comédias de chanchada, como "O Homem do Sputinik" (1959), de Carlos Manga e protagonizada por Oscarito.
No cinema, trabalhou ainda com Walter Hugo Khouri ("Noite Vazia"), Julio Bressane ("O Anjo Nasceu"), Paulo Cézar Saraceni ("A Casa Assassinada"), Glauber Rocha ("A Idade da Terra"). Sua presença sedutora encantou também a crítica internacional, como a conceituada revista francesa Cahiers du Cinema.
Além de atriz, Norma Bengell aventurou-se também como cineasta, estreando em 1988 com "Eternamente Pagu", mas causando polêmica com sua versão de O Guarani (1987), por conta das acusações de irregularidades na prestação de contas da produção. Seu último trabalho como diretora foi o documentário "Infinitamente Guiomar Novaes" (2003).